quarta-feira, 30 de março de 2011

Desaparece ao morrer

Será que conheces quem sou
Ou até mesmo porque me dou?

Será que conheces como me faço
Se sou um todo ou um pedaço?

Conheces-me a mim como pronto
Dado de mim e sempre disposto
Ou encontras-me onde eu não me encontro
Apenas no que para ti é suposto?


Abre os olhos e vê quem eu hei de ser
Se quem eu já sou não posso manter...
Mesmo que cresça não hei de desaparecer
Desaparece tudo apenas ao morrer.

domingo, 27 de março de 2011

Vai-te F****

Tu, que te achas tão correcto,
E que tão bom sempre te queres mostrar,
Impões-te sempre contra a vontade, por certo,
Pois usas os outros p'ra lá chegar.

Se eu não digo nada, é porque sou uma besta,
Se tenho vontade de fazer, uma besta sou.
Agora diz-me lá, sua aventesma,
Quem é que te atura? Eu a isso não me dou.

Como já disse: quando tu falas, o melhor é estar calado,
Pois que para ti até o silêncio é resposta
Mas é a que traz menos pecado:
Porque de qualquer maneira, de ti, só sai bosta.

sábado, 26 de março de 2011

Poema sem sentido

Nós somos bichos.
Quantas vezes acordo, para olhar o nada,
E o nada me olha mais profundamente que eu posso olhá-lo a ele.

Então eu calo-me e o silêncio faz-se ouvir.
As pétalas batem no chão com estrondo
A chuva desce em rajada de uma metrelhadora ensurdecedora.

E, de repete, tudo some.
E novamente sei que somos bichos tingidos por um raio de pensamento
Afastados da natureza do contentamento.

Daí, novamente puxo o cobertor e a manta
Sempre de ouvido escutando a precipitação nocturna...
E durmo enquanto o amanhã chega diferente de sempre.

Poema inconstante

Procurei conhecer-te. O teu sorriso
Que reluz, maçã no paraíso!

Quão profundos os teus pendentes.
Jóias inconstante molhadas, presentes

No meu simples improvisar.
E, não sei bem como pensar:

Se o que escrevo ao sentir deduzo,
Ou se nisto apenas paixão uso.

Toque

Não tenho linha.
Não sigo, não me sigo, não me contenho.

Procuro? Nem tão pouco sei se procuro.
O escuro tolda a razão de qualquer um.

Morremos velhos para nascer novos?
Quão estranha vida que nos aparece.

Tapetes de flores, e são pisadas.
As penas das aves são almofadas.

A pedra ou o minério transformados no mesmo
Mas diferentes da sua primeira utilidade.

Mudança. Significativa mudança.
Mudar...

Mudei os campos. Mudei o meu próprio ser
E, não sabendo se sei viver
Mudei até o que faço, o que me acho.

Percorro desta vez uma linha...
Mas ainda indefinida.

Essa linha, que tão pouco se vê, não se sente.
Os pés não a calcam e as areias não se acumulam.
O pó não lhe cai e o tempo não a mata.

"Um artista sabe quando deve parar".
Não sei se artista algum sou.

Mas paro agora, sem agradar.
Quantos este poema tocou?

Questões rotineiras.

Eu não penso.
E eu não esperava, nem tão pouco
Que fosse assim de arremesso
Construido o nosso mundo louco.

Eu que sempre me senti destruído.
A minha ânsia de viver somente o que quero!
Quantos como eu se aflijem
Ao ver que... bem, nada têm ainda?

Não tendo procura alguma,
Não sendo essa sequer qualquer razão.
Mas como, digamos, em nós perdura
Esta necessidade de... integração?
Em doces e vastos caminhos perfilhados por nós...

Não! Não se quebra assim a nossa monotonia.
Qual casca de fruto seco, noz
Que só parte com a sua divina quebra!
Não prentendo esquecer nunca esta vontade, seja de

amar
De ter, de encontrar, de agarrar e abraçar...

Mas mais fundo que tudo isto era
Talvez, saber o meu lugar neste canto.
Quanto mais luz me entra aos olhos...
Quanto mais tacto e mais mundo se me aprochega!

Não sei. Nem ajudar consigo saber:
Tão diferentes em medos tão iguais!
A vida não é amar, por certo...
Mas haverá razão maior que essa?

sexta-feira, 25 de março de 2011

quinta-feira, 24 de março de 2011

Estou calado.

Estou calado.

Estou calado! E porquê? Não quero falar!
Tu tomas-me a esperança, falta-me o ar
E toldas-me a lembrança, fogo aceso
Na tarde cinza do dia, àgua de dia fresco.

Estou calado - e não me peças que fale!
Antes se tiveres vontade, engole
E esquece por momentos que eu vivo.

Falo apenas quando tenho motivo.

terça-feira, 22 de março de 2011

Eu sou deus. (p'ra mim)

Eu me faço o meu deus que caminha
Eu me faço de mim a minha salvação:
Faço de mim a crença que é só minha
Acredito em mim como reconciliação!

Sou tanto fogo como carne chamuscada
E derreto tanto como àgua de enxurrada
Sou tão frio quanto me aqueço
Sou tão lembrado quanto me esqueço!

Sou tão de mim como dos outros
Mas dos outros nada sou!
Sou amigo de amigos prontos
E de mim pouco sou no que dou!

XVII – Fase da Lua

Será pura a minha loucura
Será apenas minha a palavra
Que toca a minha volúpia
Que de desejo em fervor me agarra!

Será sempre minha, nunca tua
A minha única desmazelada forma de ser
Que tendo tantas fases quanto a Lua
Nem a mim me sei conhecer!

Serei chapéu no alto dos pés
Posto silencioso na rua agitada
Serei diferente daquilo que és:
Se fores tudo eu serei nada!

Não serei Deus, nem cruzada
Nem Diabo, nem alma mutilada
Não serei o que pensas que eu sou
Nem mesmo serei aquilo que dou!

Serei sim mudança inconstante
Mudo aqui e mudo mais adiante!
E não, não me procurem se não me mostrar!
Se não me mostrar visto não me quero



E resultado nenhum terá procurar.
Que então em cada palavra exagero
E torno a tornar a desaparecer
Vulto envolto em não querer!

Não serei mais do que me veja
Serei saliva da boca que não me beija!
Serei procurar o meu querer disperso
Que te asseguro de ti ser inverso!

Serei barco nas ondas do teu corpo!
Serei mar nas tuas curvas de enxurrada!
Serei no teu ouvido sopro
E na tua mão alma agarrada!

Serei na tua boca desfeito!
Serei no teu ritmo comovido!
Serei de ti menos eleito
Que qualquer outro já visto!

Mas depois de ti não serei nada mais!
Mudarei novamente na minha fase de Lua!
Não serei pois duas pessoas iguais!
A face que deixo integra-se tua!

sábado, 19 de março de 2011

Duas quadras de mudança

O mundo é completamente nosso.
E é tanto meu, como vosso.
É a imagem de cada um:
É tudo pois não é nenhum.

É completa ofuscante alegria
É trama e drama a cada dia.
Tudo depende de quem conduz:
Se sorri assim tudo lhe reluz

sexta-feira, 18 de março de 2011

Grito de reticências

Um dia disse que me deixava
Que não queria mais saber de mim
E fiquei eu a doer pois achava
Que tanta alegria não teria fim.

Entre campos de flores garridas
Cada uma no seu jeito de se perfumar
Não sei quais hão de ser minhas
Pois não tenho vontade de agarrar.

Prefiro sentar-me olhando o céu
Pensando em como viver a vida.
Desejando que a morte levantasse o véu
Para fazer esta lembrança, interrompida.

Não tomo, nem tenho atenção
E nada do que faço me é certo
Mesmo que o sorriso seja do coração
O momento nunca parece correcto.

Com certa vontade, mas medo
De entrar novamente em gostar
Temendo começar outro pesadelo
Indeciso em voltar a tentar

Palavras quentes de chama bruta
Que não quero deixar acender!
E a dor, com a alma luta
Que não quer deixar o calor morrer!

E, assim, me é a vida
Feita de tantos percalços
Com uma chama consumida
Com os pobres pés descalços.

Pisando toda, qualquer porcaria
Seja vidro silva ou cardo
Na esperança de, um dia
Encontrar um sapato.

Não, não quero tornar
A deixar-me ir em ondas loucas.
Não pretendo ainda amar...
E não tenho razões poucas!

Se em amar me aleijo
Ainda mais se firo quem amo
Para quê partilhar um beijo
Apenas por ser quem eu chamo?

Não, a mim não me apanham
Novamente no frio calor de amar.
Por quantas aos meus olhos venham
Não mais hei de me deixar agarrar.

Hei de ter apenas vontade de comer
E guardarei para mim a fome.
Será esta, estranha forma de viver,
De quem, amar, por querer, não pode?

Elas passam todas bonitas
Todas lindas e prendads
Mas já não me fazem louco
Pois o meu sentir é outro.

Tenha mais ou tenha menos
Venha eu por de onde vier
Se quiserem amores amenos...
Nem esses sei se quero viver.

terça-feira, 15 de março de 2011

Filmes e tal e coise

Eu cá não sou de metragens
O que eu escrevo são poemas
Alguns poucas passagens
Outros pensados problemas.

Eu não tenho nenhuma "garina"
Sei apenas "garinhar"
Ou seja, não agarro menina
Mas gosto bastante de abraçar!

Por outro lado, é isto
Que de melhor sei fazer
E o meu beijo é um misto

De dor, e prazer.
No meu amar se encontra
Morder e beijar, tonta.

Chip chip chipzit

Não, não compreendo.
A minha razão é outra
De mim, a morte, vendo
A quem a quiser comprar.
Deixo quem me encontra
Para ser eu a procurar.

Não durmo no seio
De uma mãe acarinhando
O seu filho cordeiro.
Saí, fui caminhando
À descoberta de um momento
Em que, descalço em mim
Encontrasse o vento
Que me soprasse até ti.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Em resposta - Lully

Amor
De amar
Acende a vela
Em fim

E assim
Sem dor
Sei que é aquela
Que vou agarrar

E depois
Enquanto ameaça
O tempo passa

E somos dois
Cada um rir
Cada um partir.

Somos Poetas

Somos tão felizes
Como queremos ser
Mas também aprendizes
De outra forma de viver!

Somos tanta chaga
Quanto já nos queimou
Deitamos fora a mágoa
Que a nossa dor rejeitou!

Quadra da morte

A morte algemou-se a mim
Espalhada no chão em mil cacos.
Segredou-me o nosso fim
E também eu fiquei em pedaços.

domingo, 13 de março de 2011

Neste prado vem a dor de ser tão contente

Deixa-me ficar solto neste prado.

Deixa-me secar sem ti do meu lado.

Eu vou olhar o Sol, e dizer

Que não há mais nada a fazer.

Vou ficar deitado enquanto não cair

A doce penumbra da noite, e vir

Quantas estrelas podem brilhar no céu.

Depois pensarei em levantar o véu

Que tapa a tua outra faceta.

Tentarei ser eu, dentro de uma proveta,

E provar que por muito que me doa

Aceito a tua ida como coisa boa.

Não me esconderei em máscaras

Mas procurarei resolver mágoas

E não deixar ninguém aflito.

Procurarei escutar as palaras que dito

E ouvir todas as lamentações

Entender todos os nossos corações

Aprender que somos Unos, Unidos

Compreender que juntos não somos vencidos.

Entrar adentro por onde quer que passe

Deixar-me ir em qualquer compasso de ternura

Cometer por outros tanta loucura

Como a que desejei que cometesses por mim

Até o dia em que chegou o nosso fim.

E ver da rua o meu próprio interesse

Construir-se para todos benesse

Ver toda a gente contente

Por eu nunca ser indiferente

A ver alguém sofrer ou chorar

A procurar também ajudar

A dar mostras de carinho por cá estar

A dar afecto sem querer agradar

A dar sem tentar receber

A tratar por ser o melhor a fazer

Beijar a boca do chão que me alimenta

E deixar no cimo do céu a labareda

De um fogo que me há de consumir também

A mim, ao que arde, e depois a ninguém

Pois que quando tudo acabar seremos cinza

De um mundo certamente em ruína

Seja Sol explodindo em extravagante brisa

Seja Mar varrendo o solo em enxurrada

No fim, de nós não restará nada.

Por isso, serei feliz agora

E farei feliz quem também me adora.

Esperança

Ao ver tudo a meu lado
A morrer e a definhar
Fico tão preocupado
E sem saber como ajudar.

Quero enfiar um sorriso
Pelas caras de quem não ri
E mostrar que sou amigo
Mesmo de quem nunca vi

Quero mostra no problema
A solução mais pequena
E escrever um simples poema
Para tornar a vida amena

E quero parar as guerras
E quero nutrir as fomes
Quero encharcar as sedes
Quero regar as terras.

Quem dera eu ter poder
De cumprir este afazer.
Mas poder nenhum tenho
Excepto a esperança que mantenho.

sábado, 12 de março de 2011

Soneto Invertido

Vem e acorda-me contigo
Num sonho indefinido
E sem razão para existir.

Agarra-me e tomba-me a vida
Diz-me tudo, minha querida,
E não me deixes partir.

Esfaqueia a minha condição
Arranca-me o coração
A vida é dura, sim, eu sei:
Aproveita tudo o que te dei.

Se de mim nada mais levas
É porque nada mais tens a levar
E as regras que inventas
São as que não posso tomar.

Doença qualquer de viver

Se em temer sou incerto
Vejo que se me perco
É por acreditar no momento
Em que estejas por perto.
Longe da vista, olhar
Passa a nada ser
E a simplicidade de caminhar
Não pode acontecer.
E no fim é real
Que cada momento vivido
Por muito desigual
Foi sempre bem recebido.

Resposta (A Dário)

De amar por terra fico
Nesta incapacidade de amar
Em cada vez que intensifico
Mais depressa volto a deixar.

Não sei bem porque devaneio
Por este amor que não me quer
Que eu querendo não o vejo
Não consigo amar sequer.

Perderia a minha vida tentando
Talvez um dia novamente agarrar
O amor que, alcançando
Novamente acabaria por me deixar.

Louros cabelos que eu detesto ?

Abraço o Sol e me queimo
Mas nem assim me detenho!
Acordo e nisto apenas teimo
Em ter o Sol que não tenho!

Fecho os olhos à descarada
Sem dar noção de me ferir
Com a luz após a madrugada
Que não tenho noção de existir.

Acordo para o mundo e desespero
Acordo para a vida e por aí fico
O Sol se me levanta eu não quero

A Lua que venha e eu me sinto.
Mas acordam de manhã os louros cabelos teus,
E o desejo de os ter de novo enrolados nos meus.

Estrutura livre da amizade

Espreguiço o meu ser
No deleite de viver
Deixando atrás um sonho
Onde nem começo ponho
E parto quase irrisório
Por um mundo premonitório
De algemas já perdidas
De batalhas vencidas
E com sentimentos fugazes
De momentos algo suaves
Numa vida de amizades.

Tanto amor tanta paixão
Tanta dor de coração
E o que se precisa são amigos
Para sempre p'ra todos os perigos.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Carta de Amor

Hoje soube que morreste.

No teu ventre, ia uma criança.
Fruto de ocasião não precavida,
Nós queríamos ter esperança,
Mas a esperança foi vencida.

Hoje soube que morreste!

Porra! Como mói, agora que desapareceste.
E o nosso filho, e o nosso amor?
Sempre soube que de me amar temeste.
E de pensar que só te queria mais calor...

Mas, hoje soube que morreste.

De um erro que só eu cometi.
Porque não me precavi.
Hoje não estás comigo.
Nem nunca mais, estou sozinho.

Hoje soube que morreste.

E sabes que mais penso?
Este tempo que nos separa,
Este fosso imenso:
Desaparece, repara.

Porque hoje soube que morreste.

A dar à luz o que eu não previ
O que não queria, e não consegui
Olhar-me ao espelho, p'ra me acalmar.
A morte que me venha buscar.

Hoje morreste, e não vais voltar.
Não te preocupes, estou quase a chegar.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Inimizades

No carrossel de uma vida desmedida
Ataco este, ataco aquele e ataco tudo.

Mas porquê tanta ferida
P'ra tentar mudar o mundo?
Se a vida é bem definida,
Como aproveitar o oportuno?

Se alguém nos faz caminhar
Para quê depois ir

Deixá-la, e partir,
No trilho, ainda pisar?
P'ra que raio tanta agonia
Não podemos todos partilhar o dia?

Não podemos apenas e só,
Na mais pura das estesias
Sermos um pouco mais o Sol
Para o resto dos nossos dias?

Não podemos apenas ser,
Um momento: amar e viver?

O candeeiro de rua - Ou a simplicidade absurda de fugir a agarrar o que mais nos convém e dá alento

Hoje, o mundo foi nevoeiro.
A névoa envolveu o candeeiro
De rua, que abismado se acendeu,
Dando a luz que a voltagem deu.

Se falasse, perguntaria:
"Porque raio este dia?"
Mas se não é de boca, é tristeza tanta
Por saber que quem quer, não alcança.

Hoje, esse candeeiro sumiu:
Alguns dizem que subiu
Por meio de camião do lixo.

Outros dizem que partiu.
Eu cá não acredito em nada disso:
O candeeiro ganhou pernas, fugiu.

Chuva

A chuva cai e molha o rosto
Banha o meu coração em nostalgia!
Depois se escrevo, mostro
O que para mim será poesia.

Digo o que diria sem palavras
Num olhar mais complicado
Mas a chuva dá coisas raras:
Molha a cara, fico acordado!

E então desse alevantamento
Posso erguer a voz para lhe dizer:
Ela é o meu arrebatamento.
Quase a razão do meu viver.

terça-feira, 8 de março de 2011

Perdemo-nos

  Num sentimento cru e banal, procurei algo com que iluminar o sítio. Sentia-me mal situado, mal parado - mal de tudo. Encontrei uma vela e, fazendo o metal cintilar à luz ténue do luar, dei faísca ao isqueiro. A sala pouco se iluminou. Teias de aranha, aqui, ali. Em todo o lado, mas não dei importância. Encontrei uma cómoda, na qual procurei algo com que limpar o velho cadeirão no qual sempre temera sentar-me.
  Já sentado, mesinha de apoio ao lado, vela queimando num fuminho negro, dei por mim a pensar em tudo e em coisa nenhuma. As portadas da janela, abertas, batiam em resposta ao vento que se sentia do lado de fora. Do lado de fora...
  Lá, daquele lado, ouvia a festa. Sabia que estava lá.Talvez não estivesse lá eu, mas estava. Estava um pedaço de mim... que eu não queria ver nem recordar. Seria como tornar a um mundo que eu dava havia muito tempo como desaparecido. Não me queria lembrar dos sóis que se tinham cruzado comigo nos milhentos dias... mas ora! Dava comigo a recordá-los todos.
  Sem saber, decidi ouvir música. Liguei o  mp3, procurei a pasta. Um instrumental ligeiro... talvez algo que reflectisse os meus sentimentos então - que os absorvesse e levasse de mim. Os pensamentos, no entanto adensaram-se. Senti-me demasiado perdido para me agarrar a qualquer um deles.

Oh. Como é verdade. Quando nos damos, lá nos deixamos.

Lá nos perdemos.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Em conversa- Musicalidades

Entendo bem o queres dizer.
Vejo bem o que tentas mostrar.
Palavras, por certo, não podem dar
O mesmo que a música pode fazer.

É essa razão alguma, para de poesia
Música não ser feita, não se exprimir alegria?

Conote-se o som à palavra
Que a palavra do som nasce.
Mesmo que a mãe seja mais prendada
Não achas a palavra ajuizada?

Bem, digo eu que, sinceramente
A palavra é musicalidade indiferente.
Não tocando a toda a gente
Pode ser música e tocar completamente.

Em conversa- Alegria

Alegria, em quantas palavras se sente?
Quantas melodias poderia fabricar
- Oh, se agora, de repente
Soubesse de peito música criar!

Criaria - não sei que melodia
Difundiria - nem sei que pensar!
O meu gesto, simples, cairia
Na alegria que sinto em alegrar.

Poderia nem saber dizer
O que sinto, que se prende a mim.
Por tanto e tão pouco finjo fazer

Um remate certeiro para um fim:
O objectivo pode não ser alcançado
Mas de múltiplas palavras fica o sentido carregado.

Em resposta - 1

Amor não tem fama de tornar.
Se vai, não volta, não quer voltar.
Mas sempre se cria novo amar:
Amor novo que não sabemos guardar.

domingo, 6 de março de 2011

Do que o viver se cria

Vejo do alto do morro o monte
E pergunto ao vento que passa
Se as estrelas beijam Caronte,
Ou são para ela estrelas de desgraça.

Vejo a leve pena, e nada mais sinto
A escrita que escrevo não é minha, é do infinito.
O que sou, será que existo?
Talvez não seja bem o que escrevo. Acho que minto.

Mas em vez de me atolar em desejos
- Oh, desejos carnais de pura agonia! -
Nas imagens constantes dos nossos beijos,
De ti, de quem nunca pude beijar,
Penso em melhor viver cada dia
Penso que posso ainda melhorar.

E estendo-me ao comprido, desagarrado do que sou.
O vento, por mim, apenas passou
Não levou de mim qualquer desgraça
Não me trouxe sequer qualquer sorte.
A minha vida é como uma praça
Aberta à chuva que trasnborda do capote.

A gente bem que morre e desaparece
Um dia cede, esmorece.
Mas porquê não aproveitar agora, esta calmaria,
Se de amar, viver e nada, o viver se cria?

B.D. Nº4 - Chuva dissolvente - Menos Língua

B.D. Nº 3 - Cantorias... - ???

sábado, 5 de março de 2011

sexta-feira, 4 de março de 2011

B.D.'s and Stuff


 Wazzup peeps! Aos poucos que lêem este meu blogue - ou aos muitos que desconheço? - tenho o prazer de anunciar (que palavras caras !) que vou começar a, além de tanta poesia, postar alguma da B.D. que eu faço!

 Assim, tenho duas B.D.s diferentes, que vou apresentar:

  "Love is Blue" - Uma B.D. sobre... amor, romance, vida normal, coisas chatas desse tipo. Com nenhumas ou poucas legendas.

  "- (Menos) Língua" - Uma B.D. sobre o que me apetecer! Sem legendas!

 Se gostarem - e espero que gostem - comentem! Que às vezes um pequeno comentário faz tão bem ao ego e dá tanta força para continuar ;) Em ambas sou também a personagem principal, com todos os meus problemas filosóficos xD

 Assim vos deixo, desconhecidos leitores (exceptuando os que conheço) !

quarta-feira, 2 de março de 2011

Sem título 3

Ouve-me, quando nada tenho a dizer.
A tua voz é a prosa dos meus dias
O teu toque a maior das poesias
E o teu beijar algo ainda por viver.

O teu existir é o meu pesar
A tua presença causa-me assombro,
Não há forma de me acalmar:
De te amar, quase que morro.

Vejo que és apenas alguém,
Tão perdida quanto me sinto
Será que amo, ou minto?

Amor é palavra quando convém
Para mim nem o faria gesto
Amar é ver-te e tudo o resto...

O amor é...?

Amor não é estar perdido,
Nada disso!
É encontrar um caminho
Para entrar num compromisso!

Amar é morrer desgraçado
Pela alegria alheia de amar
Amar é estar sempre trocado
Entre morder e beijar.

Como as estrelas nos olhos dela
A noite é o meu escapar!
As estrelas são quase tão belas

Como a sua forma de amar.
Se assim me faço, improviso
Amar é tudo e nada disso!

terça-feira, 1 de março de 2011

Lado T(eu)

Bateu-me forte cá dentro
Quando pensava que o momento
Era meu,
Afinal era teu...

Não sabendo por onde seguia
O que podia ver, não via
Se caísse para o lado
Estaria desgraçado

Mas é apenas mais uma forma de sentir!
(Neste momento estou no ir.)

Enquanto me agarro ao que tenho
Despedaço o que vem
Paro no tempo em que venho
Pois para mim não vem ninguém.

Sentir, sentir
Mais uma forma de sentir
Se eu pudesse cessaria
Mas o corpo morre e a alma mirra

Sentir, sentir
Em tudo o que se é capaz
Hábil quando posso sair
Desgraça agarrado...
(Estou melhor do teu lado)

Sem título 2

Abro a porta do meu quarto.

Para não achar nada.
Tudo usado e desolado:
O meu peito partiu em farra
O meu amor partiu guardado.

Deito-me, perdido, sem pensar.

A minha mente vagueia noutro lugar.

O tempo passa, eu já era,
Não sei bem porque o fizera.
Queria amar de novo
Provar da morte o gosto.

Se os teus lábios me tocassem...

Me deixassem pleno de mim,
seguro de um fim
Mas ciente de um começo.

Amava quem não sei se conheço.