quinta-feira, 10 de março de 2011

Carta de Amor

Hoje soube que morreste.

No teu ventre, ia uma criança.
Fruto de ocasião não precavida,
Nós queríamos ter esperança,
Mas a esperança foi vencida.

Hoje soube que morreste!

Porra! Como mói, agora que desapareceste.
E o nosso filho, e o nosso amor?
Sempre soube que de me amar temeste.
E de pensar que só te queria mais calor...

Mas, hoje soube que morreste.

De um erro que só eu cometi.
Porque não me precavi.
Hoje não estás comigo.
Nem nunca mais, estou sozinho.

Hoje soube que morreste.

E sabes que mais penso?
Este tempo que nos separa,
Este fosso imenso:
Desaparece, repara.

Porque hoje soube que morreste.

A dar à luz o que eu não previ
O que não queria, e não consegui
Olhar-me ao espelho, p'ra me acalmar.
A morte que me venha buscar.

Hoje morreste, e não vais voltar.
Não te preocupes, estou quase a chegar.

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