domingo, 6 de março de 2011

Do que o viver se cria

Vejo do alto do morro o monte
E pergunto ao vento que passa
Se as estrelas beijam Caronte,
Ou são para ela estrelas de desgraça.

Vejo a leve pena, e nada mais sinto
A escrita que escrevo não é minha, é do infinito.
O que sou, será que existo?
Talvez não seja bem o que escrevo. Acho que minto.

Mas em vez de me atolar em desejos
- Oh, desejos carnais de pura agonia! -
Nas imagens constantes dos nossos beijos,
De ti, de quem nunca pude beijar,
Penso em melhor viver cada dia
Penso que posso ainda melhorar.

E estendo-me ao comprido, desagarrado do que sou.
O vento, por mim, apenas passou
Não levou de mim qualquer desgraça
Não me trouxe sequer qualquer sorte.
A minha vida é como uma praça
Aberta à chuva que trasnborda do capote.

A gente bem que morre e desaparece
Um dia cede, esmorece.
Mas porquê não aproveitar agora, esta calmaria,
Se de amar, viver e nada, o viver se cria?

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