domingo, 13 de março de 2011

Neste prado vem a dor de ser tão contente

Deixa-me ficar solto neste prado.

Deixa-me secar sem ti do meu lado.

Eu vou olhar o Sol, e dizer

Que não há mais nada a fazer.

Vou ficar deitado enquanto não cair

A doce penumbra da noite, e vir

Quantas estrelas podem brilhar no céu.

Depois pensarei em levantar o véu

Que tapa a tua outra faceta.

Tentarei ser eu, dentro de uma proveta,

E provar que por muito que me doa

Aceito a tua ida como coisa boa.

Não me esconderei em máscaras

Mas procurarei resolver mágoas

E não deixar ninguém aflito.

Procurarei escutar as palaras que dito

E ouvir todas as lamentações

Entender todos os nossos corações

Aprender que somos Unos, Unidos

Compreender que juntos não somos vencidos.

Entrar adentro por onde quer que passe

Deixar-me ir em qualquer compasso de ternura

Cometer por outros tanta loucura

Como a que desejei que cometesses por mim

Até o dia em que chegou o nosso fim.

E ver da rua o meu próprio interesse

Construir-se para todos benesse

Ver toda a gente contente

Por eu nunca ser indiferente

A ver alguém sofrer ou chorar

A procurar também ajudar

A dar mostras de carinho por cá estar

A dar afecto sem querer agradar

A dar sem tentar receber

A tratar por ser o melhor a fazer

Beijar a boca do chão que me alimenta

E deixar no cimo do céu a labareda

De um fogo que me há de consumir também

A mim, ao que arde, e depois a ninguém

Pois que quando tudo acabar seremos cinza

De um mundo certamente em ruína

Seja Sol explodindo em extravagante brisa

Seja Mar varrendo o solo em enxurrada

No fim, de nós não restará nada.

Por isso, serei feliz agora

E farei feliz quem também me adora.

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