terça-feira, 8 de março de 2011

Perdemo-nos

  Num sentimento cru e banal, procurei algo com que iluminar o sítio. Sentia-me mal situado, mal parado - mal de tudo. Encontrei uma vela e, fazendo o metal cintilar à luz ténue do luar, dei faísca ao isqueiro. A sala pouco se iluminou. Teias de aranha, aqui, ali. Em todo o lado, mas não dei importância. Encontrei uma cómoda, na qual procurei algo com que limpar o velho cadeirão no qual sempre temera sentar-me.
  Já sentado, mesinha de apoio ao lado, vela queimando num fuminho negro, dei por mim a pensar em tudo e em coisa nenhuma. As portadas da janela, abertas, batiam em resposta ao vento que se sentia do lado de fora. Do lado de fora...
  Lá, daquele lado, ouvia a festa. Sabia que estava lá.Talvez não estivesse lá eu, mas estava. Estava um pedaço de mim... que eu não queria ver nem recordar. Seria como tornar a um mundo que eu dava havia muito tempo como desaparecido. Não me queria lembrar dos sóis que se tinham cruzado comigo nos milhentos dias... mas ora! Dava comigo a recordá-los todos.
  Sem saber, decidi ouvir música. Liguei o  mp3, procurei a pasta. Um instrumental ligeiro... talvez algo que reflectisse os meus sentimentos então - que os absorvesse e levasse de mim. Os pensamentos, no entanto adensaram-se. Senti-me demasiado perdido para me agarrar a qualquer um deles.

Oh. Como é verdade. Quando nos damos, lá nos deixamos.

Lá nos perdemos.

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