sábado, 30 de abril de 2011

Pensando nas estrelas


Não hei de voltar
Não vou voltar
Não penso tornar
Não penso retomar.

O que era do passado esfumou-se
E o que era do antes apagou-se

O teu sorriso transformou-se em paisagem
O teu corpo (se o tinhas) fez-se miragem.

Mas não tem importância, que me mantenho
De olhos postos no alto firmamento.
Se os dias passam e eu não me alimento
Da carne e do sangue de alguém que retenho

Pouca diferença me faz, que sempre sonho
Com a imensidão claríssima da noite
Em que vislumbro melhor o semblante que me proponho
E como amo me tomo de açoite.

Morre então de noite na calada
Aquela que foi a tua chaga

E vendo já outra mais chegada
Atiro-me, não receando nada.

Partilha de condição


Já não penso em estar parado
Mas também não sei vaguear
Deixo ainda o tempo passar ao lado
Pois que não me levanto para o agarrar.

E vejo largamente nos meus olhos de penumbra
O mundo que passa de sorriso no chão
E eu alegria não sei onde encontrar alguma
Além de na minha própria condição.

Assim, que de dúvidas satisfeito
Fico, espero então acender qualquer ardor
E quando doer, digo - "está feito!"

E espero então que sintam "amor."

Devaneio


Hoje perdi-me no sofá em devaneio
No entretanto de não conseguir estudar.
(A matemática causou-me tal anseio
Que fui incapaz de continuar.)

Chegou-me à mente a possibilidade
Iminente de vir a ser algo crescido.
E, não omitindo, é essa a minha vontade
Pois que mais no meu valor acredito.

Mas ora como posso eu vingar
Se este mundo anda de boca com fome
E eu não quero ser um Pessoa nem atravessar o mar
Com uma lusitana viagem que me adorne?

E por muito grandes que tais sejam
De que me valeria a mim tal grandeza
Tentar ser como eles (que me desejam!)
Quando eu próprio chego p'ra fineza?

Mas basta da meditação
E eu faço o meu caminho.
Da poesia, componho-me canção
E o que escrevo deixo com carinho.

Partilho assim a minha realidade
Por muito pouco sofrida que seja...
Bem sei que não tenho a maturidade
Mas não sei se a minha pessoa o deseja.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Futebol


Deveria ser desporto de paixão
Mas no que vejo é só pancada
E nele vejo tanta acabrunhação
Que não é bola não é nada.

Os idiotas que "movem" o país
Formam-se em cursos superiores de corrida
E fazem um mundo idiota feliz
Esquecendo estes idiotas a sua luta.

O idiota comum que se preze
Tenta ser futebolista
E quando o idiota não consegue
Vê no futebol salvação futurista.

Estes novos idiotas convencionais
Que soltam pancada em pura liberdade
Não sabem ser racionais?

É que gostar de jogar e de ver - não se oprime!
Mas vendo a lavagem cerebral que se enxerga
Da janela d'onde vivo ou mesmo do som que me chega

Não haja quem pense no que vive
E que pense: "porra, já chega?"

Pensamento p'ra futebolista: comportem-se... ao menos no que gostam de fazer (por muito que eu deteste.)

terça-feira, 26 de abril de 2011

A voz que não te ouves


Como dizia o outro que passou no seu passo,
A pedra que ali jaz é uma pedra apenas.
E a água se corre é porque assim tem de correr
Não de vontade de pensar nem mesmo de querer
Mas apenas porque assim tem de ser.

Mas tu, que sendo gente tens a mudança no teu alcance
A beleza que te procuras nos outros não encontras e não sabes
Olhar para a beleza que por dentro de ti trazes.

Se a pedra é pedra e nada mais
E água corre pois tem o seu cais

E se da tua existência existe o mudar
Porquê deixar à vontade de quem não te sabe ver a oportunidade
De te fazer, trabalhar, construir ou motivar?

Pensa, ou abstrai-te de pensar, libertando-te do pensamento
Que te prende a uma realidade apenas únicamente criada
E mergulha dentro daquele que é justamente o momento
E sendo o momento, não é mais nada.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Sem título 8


Paro para te olhar
Paro para te sentir
Pode não haver lugar
E eu não vou mentir
Mas o teu abraço
Não é o que acho
Onde mudaste tu desta vez?

Eu já não te procuro, e não posso mudar
Vou lentamente procurando o meu lugar
O teu abraço terno, que eu julguei eterno
Já o estou de novo a sonhar...

Nos braços de alguém, que querendo também
Me faça disperso, no momento inverso
A ter de estar junto dessa que tal
Se faz mal, eu aceito.

Eu beijo
E aproveito...
(O teu sal.)

terça-feira, 19 de abril de 2011

Sem título 7


Eu não hei de ser o que minto
E hei de a mim sempre ser fiel
Mostrando a mim também o que sinto
Mesmo que tal não tenha sucesso

Hei de procurar aqueles olhos que me esmagam
Que de verde ou azul ou sei lá me apagam

E quando os olhar, se me chamarem
Eu irei, especialmente se pagarem.

Quando a frase acaba


Da fraqueza em que exagero
Do que por fora quero passar
A verdade, sendo sincero
É que não me soube desagarrar.

Não há problema, tudo morre
Até o que há dentro de mim.
E mesmo que um dia torne
Prevejo que nunca seja assim.

E tão pouco quero retorno
Depois de tão longa madrugada.
Quando se mete um ponto
A frase está acabada.

sábado, 16 de abril de 2011

Em busca


Deposito em ti os meus desejos
As minhas mágoas correspondidas
E no meio de tudo aguardo beijos
No meio de esperanças perdidas.

Chega-te e faz-me agora refeito
Mesmo que o dia amanhã acabe.
Respira comigo peito no peito
Da forma que ninguém mais sabe.

Mesmo o que desconheço vive
No mais que profundamente
Pois aqui o mundo existe

Mesmo não se vendo completamente.
Aguardo o dia em que te encontre
Mesmo que até lá me desmonte.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Deus.


Do que de bom há para dizer
E que de bom sempre é ler
Falta também a parte mais traiçoeira
Que nunca calha bem, nem que se queira.

Tanto a mulher vem a sofrer
Como o homem vem a morrer.

E apoiado num deus inexistente
Ou que existindo nem aparente
Não creio que haja vida concreta
Repara-se até que é incorrecta
Tal forma de alguns assim pensar
Amando a seu deus assim matar.

Viver e sermos nós e ajudar,
O resto virá até tudo acabar.

Vénus


 Em especial prato ou bandeja
Numa palavra que a ti sobeja
Digo-te com pontaria certeira
Que sois tu uma outra ceifeira.

Digna de tua concha reluzente
Não encontro nenhuma aurora
E sendo tua imagem presente
Tua fugaz passagem nos adora.

Sei que de amar me perco e devaneio em ti
Mas dá-me a tua mão e acredita em mim:
Não há outra à qual me dê de provar.

Não me pintaria alegre e não teria cor
Não existisse o súbito implacável amor.
O desejo intríseco incocebível de te amar.

Sem título 6

A poesia em desabafo
No menos pensado acto
Tem quase mais valor
Que um tema provocador

Mas uma poesia mais estudada
Querendo algo mostrar
De imperfeição não tendo nada
Tem ideias para aperfeiçoar.

Portugal (Revolução?)


Nós somos aqueles que perecendo fizemos a tua maldição
E condenados a ter a morte no nosso encalce estamos
Tudo isto por cantarmos a nossa vida em oração
Não sendo praticantes de quaisquer actos mais que mundanos

Imponentes e fugazes vazios à imensidão da cheia
Somos os que se levantam sentados da areia
E as nossas vozes que antes não se ouviam
Povoam agora a esperança inteira

Finalmente tomamos o sabor às correntes
Antes deixávamo-nos apenas mastigar
Não eramos tristes nem contentes
Existimos simplesmente p'ra passar

Rompemos agora o mundo que nos quebra
Tudo isto com a nossa inteira nostalgia
De um de outro de tudo o que desespera
Por viver a vida por mais que um dia.

As vozes fizeram-se canhões e armas
E os barões de antes assinalados
Fizeram-se novas e verdadeiras estradas
Diferentes dos caminhos já caminhados.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Morte?

Fotografia por: Ana Hipólito, visitem o seu blog: http://thepiano-notme.blogspot.com

Cai do meu lado, já morto
O estado da minha solidão.

Eu, que já era descomposto
Ao ver agora a sua condição

Não me sinto livre ou reposto
Mas sim triste sem guião.

E queimo a borracha na estrada
A sola sai, e descarna

Os sapatos mal cosidos doem
As peles por dentro cozem

Fujo fujo só posso fugir.
Se na minha frente existe porta
Talvez tenha para onde ir
Mas saída, nenhuma outra...

(Que ter de me prestar a sentir
A tua implacável chegada
E na dor do teu porvir
Deixo na aragem uma chaga.)

terça-feira, 12 de abril de 2011

Ida e volta, volta e ida


É assim: nem há muito p'ra dizer
Da vontade nasce pouca
A triste verdade de sentir
Até a voz fica rouca
Com o emprego de ter de rir
Mas enquanto enfim puder
Dar o meu beijo ou mordidela
Eu sempre voltarei
Mesmo que não p'ra junto dela

Reflexão

Fotografia por: Ana MFH, visitem o seu blogue: http://thepiano-notme.blogspot.com

  Vejo que o espelho me mente.
Ainda assim lhe dou o meu carinho.

A minha vida pendura-se descontente
Ainda assim sigo o meu caminho.

Tinha das mais diversas razões
Para não acreditar naquilo em que reflicto

Desde obuses, armas e aviões
  Tiros de sangue para o infinito.

  A minha camisa é manchada
Salpicos de fel cobrem o meu rosto

Mas mesmo assim, como nada
Continuo a vida, bem-disposto.

De ver o mal no mundo estou farto
Pois que tanto já tive que ver...

Mas de ajudar, quando não reparo
Reparo sim: fico a sofrer...

Coração



De tão enlutado que com a vida passa
O teu coração de enregelado não sai.

Coração, mesmo sendo palavra sem graça
É a imagem de quem ao soltar-se, cai.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Pobreza.


Eu como o pão que não amasso
(Aliás, o pão amassado vem.)

Eu não tenho cama, por onde passo
Faço o meu colchão sem vintém.

Eu não tenho e não possuo
Mais do que consigo ter...

Tenho apenas fome (sem uso)
Não a simples vontade de comer.

Tu que sempre tanto gastas
Que tanto deixas por mastigar...
Não pensas e não achas
Que há mais valor por dar

(Pelo que comes sem saborear
Pelo que ouves sem sentir
Pelo que cheiras sem captar
Pelo teu chorar ao mentir?)

domingo, 10 de abril de 2011

Livro


Bem sei que interessante seria
Fazer um livro para te retratar
Mas será que tanta coisa caberia
Numa folha que nem sabe pensar?

sábado, 9 de abril de 2011

Chávena

Adeus, parto agora a deixar-te para sempre.
Se de forma te tornares diferente,

Tão pouco me surgirá o interesse.

Não que ter-te não me apetecesse

Ou que o teu toque não me contentasse.

Mas a dosagem foi tanta que caí em mim

E, finalmente, creio que percebi

Que se tudo, enfim, continuasse

Não existiria nem espaço para te seguir

Nem intenção de te querer ver rir.

Chama


Não sou formado de fogo ou de chama
Não sou sequer um ferro ardente na pele.

Que alimente o calor a quem me ama
Não significa que me veja naquele.

Que seduza olhando parado
Não significa que queira olhar.
Que de amor o amor se sinta tocado
Não significa que me disponha a amar.

Se tu dama te mostras indiferente
Nada de especial se me assemelha.
Nem eu fico triste nem contente
Pois nunca penso sequer da tua beira.

A cada resposta uma multidão de questões


 Das respostas restam-me as dúvidas
Que indubitavelmente se acumulam à percepção.
Destas questões de formas múltiplas
Não arranjo nem destaco condição
Que, verdadeiramente impregnada do cheiro caótico

E visceral da vida decomposta em trechos
Me apoem e nem mesmo ao ser que de metódico
Apoia a sua vivência em coloridos desfechos
Que a imaginação proporciona por pensar.
Ai, e o lugar se aflige de tão frequentado

A dor que sente cada um é fruto do alegrar
E de tanto sentir cada um se faz culpado

De uma dor que não tem intento de se criar.
Se tão feliz de contente porquê chorar?

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Não sejas girassóis

São girassóis, filha
E... não tentes ser também.

Não queiras ser algo que siga
Quando não tens nada desse alguém.

Os girassóis a seguir estão condenados
Minha querida filha, repara:

O Sol os guia, como que amarrados
Sugando dele o pouco que ainda há...

Não sejas girassóis, minha amorosa
Da tua vida faz-te caprichosa

Quero que sejas mais que um astro radiante
Mais que uma estrela ardente num Universo

Ou um buraco negro englobando um verso
Uma estrofe que pensa ou chega mais adiante...

Não sejas girassóis, minha filha
Pois seguir fará de ti uma ilha.

Em resposta - Ana

De tão bela escrita ela chora
Por alguém que, outrora
Amara e tanto que amara!

Minha querida, o tempo é gelo
E difiíl é detê-lo!

Sê forte e sê tu vida
Não cais em esperança,
Pensa: "a vida é minha"

Todo o mundo é composto de mudança
Já antes dizia o Camões...

Pois agora cria lembrança
De muitos mais verões!

Acabou o fado...

All of us
Are a piece of mind...

We can't get trough
(We must rewind)

Above shake the leaves
And the tree seem to fall

At our feet.
We are the world's defeat...

Somos nós a mudança inconstante
O prazer tão mundano irritante

Que comove quem olha ao passar
Mas não fala verdade nem no altar.

Fruto da razão e do medo
O que dizemos é puro segredo
Da imensidão mais esquecida no tempo.

Não há momento em que eu viva bem..
Eu não sei porque acredito em alguém.

Pensar ninguém já pensou
O mundo como era d'antes acabou.

Nem há parte de quem veja
O mundo pára e bebe cerveja.

Embebedado e surdo e mudo e castrado
Não olha para o lado

E o mundo nosso que somos nós fica parado
A não ser nada

A não ser nada de bom...
Acabou o fado...

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Suspiros nocturnos

Pode ter sido apenas um sonho, que passou
Mas eu... continuo a sonhar.

Espero quem comigo nunca voou
Para eu poder voar.

Olho e procuro e por vezes com a visão devoro
Quem tanto penso que desejaria ter.
Mas como posso desejar quem não conheço
Sem nem sequer ter pretensões de conhecer?

Pois então continuo inútilmente perdido
Na minha própria embriaguez mental.

Espero um momento em que me encontre contigo
Para saber: serás a tal?

Em resposta - Vóny Ferreira

O falso amigo é um predador
E uma ameaça ao amigo real...
Pois que cria tamanho tumor
Que é dificíl distinguir qual é qual!

E o amigo verdadeiro fica destroçado
Por se achar deveras culpabilizado
Por uma acção que apesar de sua
Não tinha intenção de ser dura!

Fica mais um amigo de lado
E se cria mais nova tensão...
Tudo por um caso falhado
Acaba a confiança, o dar mão

O amigo, ludibriado
Nem o que pensar sabe!
Mas sendo amigo fico do teu lado
Esperando o dia em que a tua mente abre...

Ode ao bom sabor

Da mais alta montanha
Corre um rio de chocolate
Que uma selva de morangos banha
Num planeta semelhante a Marte!

Crescem montes de gelado
E abrem-se vales de amendoim!
Há comida por todo o lado
Neste planeta-pudim!

E esta comida toda que olha
O mais não comida haver
Pensa que nem há alguém que colha
O que tanto sabor tem p'ra oferecer!

E de fantasia e recheio
Como bife assado no forno
Pensando num peixe bem cheio
O meu sonho cozinha morno.

EU, UM CLONE?! BRINCAM!!

A quem me acha clonado
Tal assunto não tem como me passar ao lado!
Pois então alguém acredita que o meu ser
Não é o que apresento é outro parecer?

Ultrajado e desapontado me sinto!
Com quem assim me faz passar
Sendo que eu ao escrever não minto
Tentam-me agora difamar!

Eu sou eu, sem qualquer emenda!
Se parecido a alguém eu sou
Em nada a coisa se apimenta
Pois que a nós tudo o mesmo criou!

Assim, aos infortunados que me acham
Uma calúnia uma mentira uma perverseridade
Que vão para o raio que os partam,
Pois que é assim que fala a malta da minha idade!

Tentas esquecer.

Tu podes olhar acima e procurar abaixo
Podes até tapar os olhos e não querer ver.
Mas não te preocupes, eu sempre te acho
Pois tu nunca me hás de esquecer.

Podes queimar fotografias
E retirar datas de aniversário
Mas as memórias minhas
Ficam guardadas no teu armário

Na tua memória inconsistente
Nos momentos mais alheios
Eu farei parte do teu presente...
E tu terás presentes feios.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Carregar o fardo

Hoje vi uma amiga que sorria.
Aproximei-me e perguntei se queria chorar.

Quando disse isto tanto que ria
Que me disse: como consegues adivinhar?

E da sua alegria que até parece tanta
Bem eu percebo o que quer dar...
Não querendo perturbar a gente mansa
Não deixa a sua dor poder-se mostrar.

E essa amiga que triste sorria
Eu abracei e temerário disse:
Chorarei contigo todo o dia
Mesmo que eu por mim não precise.

Em resposta - Antonio Zau

Quão simples as palavras
Mas que complicado o mudar:
As vidas de tão acostumadas
Não reparam no que estão a matar.

Gente que pobre cai ou vacila
Morte na rua morre na via...

E de nós todos tão bem que partiria
Abrir os olhos e abraçar o dia.

Em resposta - Sandra

Eu e os outros que nos matamos
Na tentativa fútil de te sentir.
E no entanto disso nos alimentamos
Na memória do teu sempre porvir.

Ou da tua imagem tão sagrada
Que a nós se faz labareda
Chama da alma da lareira amada!

E a nossa vida depois é leda
E depois de ti até acabada.

Tu vais e a vida é nada.

domingo, 3 de abril de 2011

Pour - Nunca entregues a tua vida a ninguém - texto de quem está extremamente apaixonado

Olá!
    Deixa que te diga: começar um texto, conto, lírica que apaixone, cative e envolva alguém que leia, é algo extremamente díficil quando não se possui um tema concreto.
    Ainda bem que tenho!
    C'est toi, et ton odeur. Mas em que medida? Oh, na casualidade que me persegue, no tão inocentemente jubilado prazer que me ocorre de tudo o que provém de ti.
    No teu beijo, no teu toque, no simples contemplar-te. E porque não o cheiro também?
    O teu cheiro envolve-me, embriaga-me: como se bebesse a bebida mais fortemente recheada de álcool, no sabor mais delicioso que tal evento me permite degustar.
    No prazer complexo que envolve o próprio beijo, em beijar-te, toda a sensação se une e purifica... o tacto me apaixona, o entusiasmo me prende, o sentimento me consome... e o cheiro? Oh, como o cheiro me mortifica, no seu sublime prazer.
    Maaas, um grande maaaas, esqueço-me de raciocinar outra coisa ainda: a tua sensualidade, oh, minha querida.
    Não tenho muito a dizer. És sexy, és linda.
    E até nisso se alia o teu perfume.
    É como se...
    ... quando chego a casa? Quando nos separamos, na infelicidade que mais tarde provirá. Ainda sinto os teus beijos vaguear-me nos lábios, o teu toque no meu corpo, a tua voz nos meus ouvidos. E que mais tenho preso a mim? Tenho o teu cheiro, o teu aroma, o teu perfume, que me embala durante dias seguidos, até se desprender de vez.
    O teu perfume fica. Até ir, decerto, mas fica.
    Rejubila a minha pessoa. É que, bem, eu sou teu, não tenho dúvidas de que seja. E quase que te sinto próxima de mim... até se esvair, sangrar a última gota que tem para dar, e o teu aroma se libertar.
    Estou tão feliz quando estou contigo.
    Tens razão, poucos dias depois essa felicidade cai, quase cessa. São saudades que tenho, acredito que o mesmo suceda contigo.
    Olha, hei de fazer como o maníaco perfumista! Levo ligaduras com gordura de porco altamente refinadas, somente para te retirar esse aroma e me permitir o prazer de de vez em quando abrir o pequeno frasquinho de "Essencia d'Pessoa" e sentir parte de ti ainda próxima... fechar os olhos, sentir o teu toque nos confins da minha mente, e os teus lábios nos meus.
    Ahah.
    Tu, tu.

    Pois deixa que te diga
    Qual prazer de ignição
    Que o que mais me rejubila
    Será talvez o fogo da paixão

    Faz parte o teu perfume
    Esse aroma divinal
    Que atiça ainda mais o lume
    A um Amor que não arde mal

    Ainda bem que tenho lenha
    Montes de lenha por arder
    Pois até que outro dia venha
    Tenho de aguentar até te ver

    Aquece também o teu fogo
    Deixa, que eu beijo-te em desespero
    Beijo no pescoço, no corpo, nem espero
    E beijo-te na boca ardendo frio no acompanhamento do nosso vazio intemporal: quando fecho os olhos, lembro-me de ti, de tudo o que envolve o nosso beijar.

    Piscamos os olhos tantas vezes ao dia!
    Dormimos com os olhos fechados!
    Tantas oportunidades para te relembrar.
    Ahah, meu amor, passo o dia a sonhar.

(Tal como escrevi há muito tempo atrás)

Nunca entregues a tua vida a ninguém.

Já faz tempo que deixaste
Tudo o que eu... tinha p'ra dar.
Creio que tu nunca reparaste
(Ou então não quiseste... reparar)

Pois vê bem agora o refúgio dos meus sentidos!
Suspiros infinitos...
Perdido preso a um tempo que passando nunca há de passar
E não consigo escapar!

Sendo que hoje cai a chuva
Com ela vai o meu pensar
Não há sequer forma de me agarrar...

A minha vida era toda... tua.

Sem título 5

De saber pensando nunca pensei cair.

E a solução nunca chegou...

As palavras foram rasgadas em mil pedaços que o vento soprou.
...E onde estavas tu?

Pensando não saber para onde ia continuava a ir..
Mas afinal até sabia tudo!

Entretanto agarrei-me a tentar-me equilibrar
Todo o teu ser de repente mudou de lugar!

Sendo meu o triste agora
Tu... foste embora.

sábado, 2 de abril de 2011

Nunca (mais)

No fundo do roupeiro
Está um monstro feio
E eu não sei o que fazer.

Quem virá primeiro
Para me acudir?
O fim está perto e eu quero fugir!

Nem eu sei mais dizer
Quantas vezes já pensei no cheiro
Que carregavas enfim só tu...

Virgem clara pureza significativa
De quem nada tem p'ra dizer
Toda a vida seria imprecisa

Sem te ter para viver.
Entretanto chove o pranto
Por saber que já te vais.

Não acudo a quanto tenho
E se tenho, nunca mais.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Riam-se verdadeiramente

Tenho uma dupla raiz de pensamento
Tanto o bom como o que não quero!
Um é fonte total de descontentamento
O outro de tristeza onde exagero!

Sou três em duas de uma pessoa
E só eu sei o quanto a mim me dói.
Pois que mesmo a que outra doa
A sua dor a mim não me mói.

E então apenas da minha dor que sinto
Sei que existe e não consigo sarar
Por vezes até apenas saber que existo
Me faz querer parar de pensar.

E tu quanta dor pensas também sentir
Ou aquilo que sofres é pura miragem?

É que eu por muito que doa quero sempre rir,
E rir como objecto não como imagem.