quinta-feira, 5 de maio de 2011

O que gostaria de dizer


As palavras
Não são sempre transparentes.
As palavras
São capazes de ser opacas,
Adquirem uma tonalidade fosca e baça, impenetrável pela luz
E até as gotas de água se acumulam do lado de fora das mesmas.

As palavras
Nem sempre dizem o certo
E nem sempre sabem dizer o correcto.
As palavras, que são tantas,
Podia usar destas tantas, tantas para o que quero dizer
Mas nunca, nenhuma, alguma vez iria saber
Falar tão certo como o silêncio sentido.

Destas palavras
Que escrevi agora, num momento de vontade
Na triste verdade, nenhuma ousa exprimir sequer o que sinto.
Na tela das minhas letras, não pinto
Com alma, pois a minha alma tem medo da revelação
E prefere esconder-se atrás do postigo.

Talvez um dia encontre então esse silêncio constrangedor
Que na ausência das demais palavras que teria para disparar
Me fala compreendido ao que quero, e ao que venho.

Ou então esse silêncio será sempre habitado por palavras
Escritas, impressas, e mortas na penumbra da insonoridade.
Talvez... talvez as palavras me afundem, pura maldade.

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