terça-feira, 3 de maio de 2011

Poema do mar


Vem, vai... vem, vai...

O mar comigo se arrasta
E eu aprendi a arrastar-me com o mar.

Quando me sento ao pé dele, a sua brisa me basta
Para enrolar na espuma das ondas o "pensar".

O mar tira-me a máscara (qual, que não sei qual tenha
Mas por certo haverá alguma que inconscientemente mantenha)

E eu, puramente eu, sinto-me penetrar
Penetrar! Pois! No mais fundo da minha própria existência...

Caio num vazio redobrado (e não pensado!) um espaço onde não sei chegar...
Tal espaço (vazio e caiado) se tem acção por hora é dormência.

Que digo? Que vejo? Que falo? Procuro-me e sou alucinado
Com a minha própria imagem, fantasma de mim diferente

(Mas tão, tão igual ao que quero que os outros me vejam)
O meu tom a minha dúvida até o meu existir torna-se indiferente

A questão fundamental, não a encontro, aqui não a guardo
Não penso se estou a existir ou se estou a enlouquecer.

Neste espaço confinado, sinto agora apenas o amanhecer...

E tenho ainda o mar, ao meu lado.

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