quinta-feira, 30 de junho de 2011

Diapasões não harmonizados

Os dedos imprimiram-se
Em gramofones multicolores
Que disparam multidões de aplausos
Pelo ar à tua passagem,

E eu apenas te olhei,
Fulminado,
Enquanto me corrias perdida,
Entre os dedos da vista.

Penhasco

Que não eu, é mas diferente,
Homónimo vociferante,
Grita constelações leitosas,
De pastos húmidos,
Como a cama fechada da maré,
Em que te deito,
Ouvindo nos búzios os sons,
A terra distante,
Onde pensaríamos erradamente,
Que estes sons,
São o fundo do mar, este aqui,
E afinal agora,
Reconhecemos que em cada búzio,
Existes antes tu,
Que quando te oiço existes em mim,
E existo eu,
Que me faço ouvir no teu ouvido,

E estamos ainda nesta cama fechada
A traçar a nossa perfeita epopeia
Por entre os lençóis de onda
Que se esbatem contra o cetim
Do teu cabelo,

Terra... meu penhasco lusitano.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

terça-feira, 28 de junho de 2011

Divagação do resvalo

Ah e o resvalar?
(Aquela fase em que o tocar percorre sozinho
A imensidão da tua penumbra)

Os lábios passam da boca ao chão
Passando em cada poro da tua inexistência
Enquanto te elevas ao céu do que tens para sentir,

(Sempre com o medo na descida
O medo agarrado por uma mao
E eu colhido no resto da tua semente.)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Cavalgada

As crinas dos cavalos
Transportavam o vento
Que me fazia sair à entrada de qualquer porta
Em que me achasse de pé presente
Ao recalco inclinado do degrau.

E os cascos faziam-se mãos
Que não cravadas do ferro e do prego
Agarravam com força cada porção de sentimento
Em que a cabeça se tentava colocar...
E ia cavalgar.

Recorte

 E desceu,
Tocou a face oculta
Da minha própria ousadia,
Tacteando a minha pele,
Tacteando-me como se percorresse o mapa
Das estradas de glicerina,

Em que faria arder o fogo da paixão,
A chama de viver cada dia.

Partida

Partem as aves

Voando em queda livre
Através do tempo do acreditar no seu cansaço

E as suas asas quebram-se
Em rabiscos de penas sem tinta
Anunciando um voo até ao fim do que carregam

Na catadupa de emoções que preenchem com tinta invisível.
Oh, pássaros, porquê levantar voo agora
Quando descobrem apenas a cor da penugem?

Dedos

Os dedos das virgens
Feitos dedos de puta vagueiam
Conhecendo o jogo total do que fazem
E arrastam-me com eles,
Até ao limiar do exaustivo
Prazer, que se mergulha no petróleo
Incandescente da noite

Como a fuligem que se forma numa oxidação de desejos.

Pedi-te à porta da minha dor

(Chamaste-me,
E nessa altura o som do teu sorriso,
Chegou para me aliviar a dor,
De um membro obtuso à saúde,
Que depressa se tornou obtuso à solidão.)

Entraste no quarto, protegido por umas cortinas,
O calor da tarde, o fresco do interior,
E eu pensava em ti, pensava na dor,
Pensava que te queria, meu amor,

E enquanto eu pensava que te queria,
Ouvi a tua voz, a tua melodia,
E o desconcerto de quem estava doente
Desapareceu, fulminou-se de repente,

Depois, depois, depois

Depois passaram-se os dias
Passou o tempo, passou o que tinhas
Para dar a mim, e deste a outro,
E eu procurei outra para me dar eu.

Depois, depois, depois,

Depois outro membro se fez obtuso,
E eu, preso na minha solidão (?)
Pensei, amei e senti-me confuso (?)
Quis a tua companhia, preencher o coração.

E cravei punhos nas paredes,
Gravei cortes no papel,
A pensar "porque desapareceste ?",
A querer-te, pois ainda havia "mel".

Depois, depois, depois,

A minha dor foi contaminada
Pela alegria de ter de estar para com os outros,
De ter de estar para comigo, evitar a cilada
De ver com os olhos sem ver com o peito,

Partilhei até a minha frustração
Com alguém que sofreu semelhante provação,
Desta dor física, tornada psíquica,
Desta dor física, feita emoção.

Agora,

Olhando para trás e para o tempo,
Encontro-me sem esquecer qualquer momento,
E a tirar daí inspiração para viver
Melhor, e para poder talvez dizer

Aquelas palavras sussurrantes que ao menos
Pareciam encher-te de alegria,
Mesmo que tenhas tornado tais factos pequenos
Após a morte daquele dia.

sábado, 25 de junho de 2011

Espelhados na lua...


Espelhaste-te
Como se espelha a Lua nas águas
Tranquilas de um rio parado,
Não em líquido hemisfério
Como o espelho faz prever,

Deitaste-te antes, comprida,
No comprimento do nosso corpo,
Da tua estesia e beleza,
Deitaste-te e adormecemos juntos,
Em conjunto, infindáveis,
Estranhos à fraqueza
Dos corpos,
Estes corpos, moldáveis,
Que transportam pensamentos,
Ideias, algumas capazes,
A maior parte, já esquecida,

E enquanto tudo isso se desenrolava,
Pintaste o quadro da imagem lá fora,
E segredaste-me os sonhos do mundo,
Esse mundo que sou eu, para ti,
Segredaste-me o meu próprio sonho,
Um sonho que não conhecia, desconhecido,
Não procurado, nesse teu mundo, feito eu,
E eu não me achava encontrado,
Apesar da realidade das palavras
Segredadas, neste ouvido ainda hoje
Aguardando por ti,

E, lá fora, as ondas esbatiam-se
Como a tinta do teu pincel,
No embalar do meu barco,
Do iate que havia construído,
Com o papel desses sonhos,
Esses sonhos, que tinhas visto,
Quando me agarravas a mão,
Então, iremos para os barcos,
Esses barcos frágeis,
Esses barcos, de papel,
E afundar-nos-emos
Espelhados na Lua...

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Querer ser (grande?)


Por certo a minha dama
Não vem à fonte
Nem traja de laçarote encarnado.

Por certo a minha chama
Não tem toques de cetim
No meio do campo arado.

Mas tal não me indica
Que eu não possa também sentir
Uma estranheza, uma genica
Por escrever ou por sorrir.

Por certo eu sei que é ontem
Que eu tomei parte de mim.
Na estranheza de me acalmar

Da mesma forma em que não me vou encontrar.
Parto sisudo, meio aberto p'ró mundo
E sem me querer parar.

E nada me diz que não poderei ser
O que eu quero ser, no meio do desconhecido.
Bem sei que a minha vontade foge...
Bem sei que não sei o que eu mesmo sinto...

Mas eu só quero perceber
Se poderei eu ser o que me estou a ver
Erguido no alto mas preso ao asfalto
Eu quero apenas espalhar um pouco de...

sábado, 18 de junho de 2011

Sonho o teu rosto

(Imagem retirada de : http://vitrine2009.blogspot.com/2009/12/quem-sou-eu.html )

Toquei o teu rosto
Caiado de branco
Como as paredes
Deste quarto
Em que te penso...

E novamente volto
A ir aí, a adormecer
A sonhar a tua brancura
E as paredes do teu rosto...

Sabendo a minha vida tua
Quando tu não me dás nenhuma.

domingo, 12 de junho de 2011

Onde estás?


Procura adiada no encontrar
Tanta forma correcta, tinha de errar
(Talvez não o erro esperado
Apenas um erro criado...)

Procura que mergulha em profundidades
Inesperadas e, assim, lonjuras
A que o corpo não chega
Não importam as vontades
Pois que nessas alturas
O vento não me carrega
Até mais perto da calejadura
Que eu de desejos morro
A desejar estar vivo
E nem morte nem vida, ausência pura
De qualquer sentimento ou motivo.

Gostava de saber encontrar
(Gostava de saber procurar)
Talvez se te escutasse soubesse
Talvez morrendo vivesse...

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Minto


É noção básica que o que escrevo são mentiras
Mentiras, pois, perfiladas de adoçantes e açúcares
Tudo para deixar na boca do consumidor
Os sabores figurantes de momentos ímpares...

Mentiras, ou talvez verdades consumidas
Consumidas, usadas já, pelo tempo, pelo calor,
Derretendo que nem os relógios de Salvador
(Salvador dali, daqui, d'acolá)

Mas, derradeira palavra omnipresente,
Mas se nestas palavras construídas,
Se construírem esplanadas de afecto

Acho que o meu acto, mais que consciente,
É das coisas mais altruístas
De que este (ou outro) poema é feito.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Beijo-te, tudo o resto fica para trás

Dá-me a tua mão, o teu braço,
Aperta-me, afunda-me no teu abraço
E entre tudo isto deixa-me dizer

Que te amo.

Pára, escuta, olha-me, para ver
O quanto eu poderia esconder
Por trás de uma cara guardada.

Mas amo-te!

Sei que por vezes desconfiamos
Cada um por seu lado, sua escolha,
Mas nós, se nos amamos,

Porque criamos tanta recolha?

Recolhemos então ao pensamento
E ao teu beijo mais fugaz...
E beijar-te, preenche o momento!
Tudo o resto fica para trás...

Poema de teste

Este é o poema de teste
O poema de quem não sabe escrever
E apenas com este poema - Este!
O que eu quero conseguirei saber...

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Beijo sensual

O teu beijo traz o orvalho
De cada manhã, e em cada nevoeiro
Te vejo de novo tocando-me os lábios
E procurando cinzelar-me a alma

Com o teu conto do vigário
Que tanto me arrepia e faz prisioneiro
De cada parte de ti, sumo aos teus hábitos
Parte-se de mim a calma

E nem em devaneio nem em pranto
Fico, passeio apenas o teu corpo
E entre isto e entre tanto
Faço meu o teu rosto.

sábado, 4 de junho de 2011

Carta a Amores Sofridos

Não há mais para dizer,
Deste assunto em particular morrem as palavras
O assunto já tinha pressa de morrer
Logo que lhe apareceram as vadiagens...

esta carta contigo
Pois não a podes ler comigo.

Eu sei o quanto é difícil
Ter de morrer
Mas sempre vem um tempo
Para renascer...

O Sol todo o dia nasce
Para se sumir na Lua
E assim a tua chama renasce
Mesmo quando a tua tristeza actua...

Não te preocupes em perder sentido
Desde que te encontres contigo...

Eu sei o quanto é lixado
E o quanto choras para ti...
E chegas a pensar que é errado
O que sentiste e mostraste sentir.

Mas não, se está acabado
Foi por o sentir ter de se mudar.
Por isso, não fiques deitado
Na maré onde te vais afogar.

Diz merda! Diz fodace!
Diz o que te vem à cabeça...
A dor é tão grande, calejante
Que tens de libertar tanto amor...

Não deixes apenas que a dor te envolva
Não deixes apenas que o calo te mova
Não deixes apenas de sentir como sempre
Não deixes apenas de ser tu novamente...

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Breath in, Breath out (Inspira, expira)


Breath in
Breath out
And clear that doubt
On the back of your head.

Breath in
Breath out
And paint all time
With that smile.

Inspira
Expira
E apaga ilusões
Devastadas e sem uso.

Inspira
Expira
Constrói novos sonhos
E vive a vida real.

Breath in
Breath out
And shout to the sky
This world is mine.

Inspira
Expira
E pensa comigo
Que ficarás para sempre.

Breath in
And think of me
Breath out
And I'm right here.