domingo, 18 de setembro de 2011

Divagação, no campo


E quase dizemos as coisas,
E quase funcionamos.

Mas não há dor maior
Que a sentida.

A ordem aparente
É caos,
E a tentativa de justiça
É traição ao semelhante.

Pois ninguém sabe menos de si
Do que quem prende,
Que abafa gritos e choro
Porque lhe faz melhor.

E se metade que há caiu na asneira
De crer em si
Uno,
Mil rezas para que a si venha cura.

Que os que inalcançáveis caminham
Tornam seu o vislumbrado
E chamam à "morte"
A produção da "vida".

E não interessa quantos protestos, nem críticas.
Quem se sabe a tudo ligado
Compreende em tais ideias a sua aversão;
Não sabe o certo, mas distingue o errado.

Mas quase se faz algo,
E quase se consegue falar.

Estranha pretensão.
A de
Não querer
Fazer nada.

Dos outros, não sei e não falo.
Mas eu, sempre que paro
Sou assolado pelo bocejo
E convidado a dormir para sempre.

É que,
Se aqui estou
É para alguma coisa fazer.
Para saber. Para viver.

Não importam quantas alegrias há no mundo,
Se nenhum dos vivos sabe chorar
Ou não sente a dor e a perda
Quando parte um bem-amado.

E eu não creio em Deus,
Não creio no que diz a Bíblia.
Mas sei que fala de sofrimento, e ajuda.
Um acontecimento, importante.

Mas se nada acode à ganância
E ao querer mais
E mais
E mais

Para que serve alimentar de intrigas
Quem só quer o bem para si
E para os outros,
Não se dizendo "só"?

A vida, essa, é nossa.
À morte não podemos nada.
Seja feita agora a nossa justiça.
Mas como?

Se todo o Homem é corrompido?
Não neguem, minha gente.
Pois tudo o que mexe um desejo traz consigo,
Um pouco de penumbra é presente, permanente.

E eu, se calhar, pereço agora.
Pereço da paz e da calma que sinto.
Eu não sei se a árvore me adora.
Mas quando lhe confesso isso, não minto.

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