domingo, 23 de outubro de 2011

Parece que tem que sangrar até a alma para sair


Quisesse eu mesmo que fossem palavras:
Não dá sequer para tentar alimentar gritos com isto.
Nem sequer a boca humedece : a garganta, seca.
Parece que estala, como o chão despido no verão.

Portanto, sei que os lábios são vermelhos,
E roxos, rosa, pálidos, sem vida e exuberantes.
Se pegar num pincel e o passar pelos lábios
Não agarro cor nenhuma, nem cuspo palavras.

Custa é mais a crer que o sangue seja vermelho,
E roxo, rosa, pálido, sem vida e exuberante.
Diria quase que são como os lábios de fora.
Por todo eu pulsa, mas não sai. Contém-se.

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