sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Siddharta


Gosto de como o vento
É vento:
Como bate na cara
E me deixa,
Sozinho,
Sem justificações a dar,
Ausente de palavras,
De olhos fechados
De boca fechada
Sem ouvido atento,
E, no entanto
Completo
Completamente, aberto
A sentir cada toque na pele
Cada beijo na brisa
Cada cabelo a esvoaçar,
Com os olhos fechados
E os pensamentos
Tão negros
Como o que os meus olhos vêm,
Numa ausente introspecção
Sem falas caras
Sem pessoas caras
Sem caras
E sem eu,
No meu maior âmago,
E umas pingas de chuva,
Se estiver para chover.

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