segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Velho decrépito

Vou esperar até ter 50 anos
Porque é sempre isso que estou a dizer
Em palavras menos assumidas
De desejo de uma vivência ausente.

Vou esperar até ter 50 anos.
Talvez por essa metade de vida
Já a tenha meio compreendida
Já tenha meio copo cheio de nada
Ou virado ao contrário e cheio de fumo
Talvez por essa altura encontre razões
Para parar de procurar paz
Que espero seja a razão de a ter encontrado
Em mim ou n'outro algo que não abandone
Porque se abandona então há de se ir
E não me vai dar paz, pela sua prometida despedida.

Vou esperar até ter 50 anos
E ser velho chorudo carrancudo
Com a barba por fazer pai de 3 filhos
De uma vida fodida a trabalhar ou não sei
Talvez me safe talvez tenha com que me safar
Talvez possa dar aos meus filhos melhor do que tive
O que é difícil porque eu tive tenho muito e muito bom
Quero poder dar-lhes a ternura que hoje sinto
Quando estou no parque com uma amiga e vem a criança
Para andar de baloiço e eu falo com a pequena
Com tanto brilho nos meus olhos como a pequena traz nos dela
Com tanto encanto de viver como ela carrega na sua inocência
Com tanto carinho e amor como cada gesto de vontade lhe traz.

Vou esperar até ter 50 anos
Até ter dado muitos abraços
Até ter tido tantos filhos quantos venha a ter
Até ter visto os que tiver crescer
Até gastar toda a pinga de amor, e logo ele se renovar
Até ter vivido lágrimas mais instigantes que as que chorei até agora
Vou esperar até ter 50 anos para ver que amei
E depois escrever sobre isso
E pensar que
Talvez
Devesse ter escrito o que escrevo
Com 50 anos
Quando amava
E tinha medo
De amar.

Sem comentários:

Enviar um comentário

O seu comentário é muito importante para mim! Obrigado!