sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Why so sad? - They asked - Well sir it's a beautiful day to spend with someone

vou-te escrever estes versos
que nunca haverão de ter leitura a acompanhar
que sempre serão silêncio na tempestade
da tua mente. enquanto vibrar dentro
de alguém, de mim, ouve-se em nada.

há demasiado para deixar e
isso só me deixa aterrado. o poço
o poço é fundo e eu tenho pouca
corda onde me agarrar. e a vontade
morre comigo.

o amor falhado é completamente
falta de novidade. pouco importa
mas tanto fere e magoa
que às vezes tudo parece mal
por uma coisa apenas.

infelizmente que não consiga
suportar. ter de encarar a
realidade corta-me os pulsos
num corpo onde o sangue
já se esvaiu.

o que faço eu agora, o que ganho
por voltar? além da dor
que parece às vezes crónica
um completo desconforto
da presença.


houve outro tempo em que
soube talvez gostar mais afastado
e o problema é crescer.
não ser frontal ou directo
tem muito que se dizer...

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Oh Oh Oh

os pinceis estão a mão
a tela sempre desimpedida

não precisamos todos de ser pintores
mas abramos caminhos à vida

eu quero ser artista
de faca na mata

dormir ao relento
construir sempre casa

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Aparição



Auscultou-me o peito
Que fiz eu
Nos lábios trazia-me pendurado
Portanto que a sua palavra era minha
E a sua vontade tirana

Sabia-me
Que fiz eu
Como quem só se sabe a si
Trazia-me era já estudado
E súbdito

De mim
De mim
De mim
Pois que pensavas
De mim.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

As rosas

Sim,
As rosas murcham rapidamente
Como a vida.

Talvez o problema seja
Que entre o botão e o nada
Que vem depois,

Há uma parte em
Que se precisa sustentar a beleza
Toda de uma vez.

E o botão por vezes não se forma
E as pétalas nascem já desfeitas
E as lágrimas escorrem como orvalho
E a manhã congela a beleza efémera.

domingo, 9 de dezembro de 2012

pcA

Para continuar-me,
Agarrar-me.

Porque vagas são as coisas
E o nevoeiro tanto que as
Aranhas descem a pousar na
Cabeça. Sótão esquecido.

No caminho há o caminho
E os caminhos.
Eu não sou árvore para parar e ir
Ao fundo em raízes em todo o lado.

Por isso no meu caminho
Há só o chegar e não dá
Ficar parado
Em transversal.

Que o caminho continua sempre
Ainda bem.

Para continuar-me,
Agarrar-me.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

The End Days

Ela tinha cabelos loiros jorrando
pelo chão como se perdiam
pela choldra de quem
decidiu não dar nada por isso
decidiu-se o vil comedor de deuses
a que o seu Tempo fosse já antes
acabando ali mesmo o que
se pensava nunca ter começado.

domingo, 25 de novembro de 2012

Sto Amador



A ponte da minha aldeia
Ensinou-me que há fantasmas.

Pois que ela é de mil e setecentos
E nela os mortos caminham.

Essa ponte, caiada de branco
Liga o caminho ao caminho
Que dá ao cemitério.

Por isso que a ponte da minha aldeia
Me ensina que há fantasmas

Uns que caminharam até lá antes
Uns que continuam indo por dentro de alguém.

(Só essa ponte sabe
Que o momento é sempre o presente
E que por ela passa toda a gente.)

sábado, 24 de novembro de 2012

in Alentejo



Eu sei bem:
Há quem agrade com as palavras
Com uma singeleza que não é própria de mim.

Socorrem-se de metáforas
Que eu nunca me lembraria e
Assim trazem dormentes em cestos quem lê.

Só não sei o quanto importa isso
Ou se importa tanto.
O que escrevo é meu e assim não é de mais ninguém
Até que venha quem tome o meu para si.

Gostar é algo que discorre da compreensão.

Se não se sabe o que se diz
Só se pode não gostar porque não se percebe
E essa não é justificação suficiente para
Que algo não preste.

domingo, 18 de novembro de 2012

Histeria



O problema começou no primeiro olhar
Soubeste logo quem eu era.

Das vezes que estivemos
Decidi abandonar
Por medo de que não servisse.

Agora, se quero falar-te
Já sei que trazes as minhas respostas contigo.

Por isso não sei se deva
Tentar entregar e abandonar
Virá.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Shh

eu já percebi que isto de escrever é um falhanço.
não é ser poeta que falha (que eu nem sou sequer tanto)
é a antes a falha que há sem ser-se poeta
(e remeto para o verso dois da estrofe presente)

eu vou explicar da minha justiça o porquê de não resultar:
simplesmente pelo que escrevi ainda agora. e a minha justiça
pode não agradar a toda a gente, como tantas vezes não me agrada
a mim, quando a releio passado um tempo qualquer.

claro que às vezes escrevo e aquilo nem faz sentido total no momento
(ou então faz e fui eu que me esqueci entretanto)
mas no momento seguinte, em que volto a ler
o sentido renova-se e reforça-se.

Nihil

Niilismo :
    do latim nihil, nada + ismo;
     Redução a nada.

Redução a nada
Como a mortificação esperada
Pedida, emprestada, facilitada,
Abandono de tudo, ser nada.

O vazio enche-se.
O espaço enche-se de vazio.

Só o vazio aceita
Que algo entre.

Só o vazio tem onde deixar
Alguma coisa ficar.

Redução a nada
Como contentor profundo.
Conter muito, conter tudo,
Abandonar nada, ser tudo.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Um bis para o dia

na verdade queria já poder ter escrito
que desde aquela altura continuei
sempre um pouco perdido já que tu
e eu nos demos ao trabalho de deixar de ser
e que isso não é pouco e nunca foi pouco
sempre foi muito às vezes demais
por isso que parte de mim vagueia
e outra parte eu realmente não sei onde estar
e outra parte matei-a mas afinal
essa deve ser a única parte que teima
e nunca morre

Se engraxasse sapatos

das poucas coisas que deixei para trás
conto pelos dedos
as que abandonei definitavemente.

tenho à nora em mim a saudade.
se tivesse ficado por lá, mais tempo
aprendendo a libertar-me de uma forma que
(se calhar) já me esqueci, será que
agora teria outro tema ou assunto
ou algo melhor que dizer?

não sei se na altura, tudo foi profundo.
não sei se pelos tornozelos se respira bem.
às vezes digo pouco e aleijo tanta gente,
às vezes grito e não irrito ninguém.

por isso que persista uma dúvida
porquê
para quê
por quem
escrever?

(cuidado: que faço estas perguntas a mais que isto
como porquê para quê e por quem
pensar sequer voltar.
não tenho lá nada, não terei nada e não penso ter nada)

deixem-se passar as imagens de berrante.
sempre disperso vê-se o concreto que é disperso também.
memórias de artistas
memórias de quem?

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Quereis um melhor título dize please

que chova para sempre
como nunca choveu
esta chuva é que me contamina
é que me mostra e ensina
que há sempre mais alto por onde cair
sempre uma viagem obrigatória de ir
e sem qualquer forma de ficar
sem nenhuma forma de voltar
que caia o mundo afogado
como a minha mente afogada está
como todo eu troveja e fulmina
que tudo isto é sonhado
se nada faz sentido é porque tudo tem de cair
lá bem do alto para poder realmente sentir
e a verdade é que ao chegar ao chão
tudo é um colapso refrescante
um refrescar de ideias e um batalhar
muralhas derrotadas e derrotado o mar
feitos vales erguem-se montanhas
correr caindo correr caído
levantar-se e ser todo sozinho
e não ser nada

poder englobar tudo no que vaza
ostentar em braços o que se ve
cair com a chuva sem perguntar porquê
cair no chão e construir casa

diz lá

por vezes, quase perdido
converso perdidamente contigo.

só não posso aceitar conversas
que peçam ar a passar pela boca.
porque há mais maneiras
de conversar, tenho outra.

um diálogo em silêncio, sozinho.
às vezes penso que falas comigo.

domingo, 14 de outubro de 2012

enenenfim

todo ele guardado e
muito mal escrito e descrito
como se podia ver, afinal
que raio de coisa para se pôr numa caixa
e o pior? não ser ocorrência isolada
estar ali guardado e fechado à saudade
um pedaço de vidas passadas:
tendências on-line e chocolates por carta
desenhos mal pintados e frases completas em inglês
passeios em belém e mergulhos no jardim
esperanças já mortas
enfim

Para os lados? Nada.

Ninguém olha para o lado.
A vista? Perde-se na frente.

Perde-se o que é passado.
Vive-se o ainda ausente.

Ninguém vê com olhos verdadeiros.
Apenas com uma forma rudimentar de ver:
Benévola após confirmados receios,
Mas tão cega para o que está a acontecer.

Está toda a vista perdida.
Não há sentidos que acudam.

Não há quem oiça ou sinta.
Tudo para a frente,

Nada para os lados.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

357

Had he not thought before
He would now think of himself
As crazy.

There were the sheets:
Lying in their desperate sleep
For his eyes they couldn't meet.

But has he bowed down to notice them
Gently did his hands go further deep
Into what he had done, what he had been.

Gently enough he greated sorrow
Remembrance of things past
Sadness for what hadn't been done
Laughter for every other mistake.

For objects meet no fear.
Fear comes from within.
And through looking at what he had been
He now knew what he could become.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

356

A PSP consegue bater com
A mesma vontade com
Que batia a PIDE. Com
Bastões pensados para actuar com
Ainda mais dor, com
Ainda mais gritos, com
Jarros de sangue. Com
Uma sociedade podre, com
Gente podre vestida de polícia, com
Comandos de merda em fato.

Com comando, mas sem o seu.


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

355

Oh sangue do peito
Sangue que pulsas e dás vida
Quanto de ti não pulsa e fulmina

Quanto de ti não bate tanto que foge
Quanto de ti não escorre para longe

Oh sangue do peito
Vida e morte do sujeito
Porque bates com este aperto?

Quanto de ti não bate calado
Quanto de ti não se sente acabado?

354

nunca mais escrever para alguém pensara
ao que se vê nunca parara 

domingo, 23 de setembro de 2012

353

parei de olhar
já via

havia problema

parei de pensar
já sabia
 
não havia problema

352

gostar de pessoas é como ter um jardim:
sempre se renovam as flores
só as árvores continuam eternamente ali

sábado, 22 de setembro de 2012

351

chegados à praia deserta e náufragos
mordidos em roupa lavados em sangue
perdidos de tristeza

a praia belíssima

dias passados com fome
lábios gretados pés esburacados
perdidos de tristeza

a ilha riquíssima

meses finados corpos macabros
esqueletos contorcidos
já mortos nada perdidos

futuros enterrados

350

Caros problemas pessoais?
Percebei: não são nada.
Não me importo com esses tais
Importância não lhes é dada.

Se são pessoais e envolvem gente
Digo, repito, nem hesito:
Sou completamente indiferente.
Só tenho problemas por quem não desisto.

Quem se acha problema que pede atenção...
Infelizmente só eu sei se trato.
Não me interessa a indignação:
Nem toda a gente merece, de facto.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

349

não se ouve nada
sumiu-se o burburinho de sempre
a poeira desce a deitar-se
com os mortos

não se houve nada
mas há quem grite

apodrece no chão
a humanidade
em auto-destruição
em imbecilidade

terça-feira, 18 de setembro de 2012

XVIII

Distanciado do real logo pelo suporte:
Virtual, de ainda mais distância que papel.
Papel ainda se sente, ainda se cheira,
Teclas batem-se sem tanta paixão...

Olho para trás e acho que me faz tanta falta
Eliminar tudo o que já fiz como
Reorganizar-me e transformar-me e
Reviver a inspiração.

Ou deixar de pensar para estar
Concentrado onde estou:

Ser mau como sou
Ser bom como sou

Ser justiça própria
(Tão contestada
Tão invejosa
Tão ignorante)

Lembrar-me que nunca soube
Ser pessoa.

Porque as pessoas têm preguiça
Para as outras pessoas.

(E talvez até
Tenha grande parte de mim pessoa)

domingo, 16 de setembro de 2012

G&T

Um olhar demorado:
Da família
Dos que observam expositores.

Volto a dizer que farei muito
Até me fartar de não fazeres nada.

Podes chatear-te à vontade:
Nunca te tive à porta de casa.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Insert um título here

tão perto de dois lados

comemo-nos
incessantemente
tragar ávido:
última refeição.

partilha:
medo
mais morte.

ideias incutidas?
ah! realidade abstracta.
filosofia escolar barata
aconselhando igual:
foder foder foder

nada (não há)
discussões velhas
passatempos.

fizeram-se?
outros lados
caminhando com dores.

tudo semelhante
foder foder foder.

desejos:
paz
e vida
e beleza
e saúde

medalhados:
sangue
e dor
e guerra
e morte.

hediondo
morte natural
não se pede
a seres iguais.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Exemplos do que se alcança


Um braço escorregou-lhe para cima
Só para dar aquele ar dramático
De montanha imponente que se desfaz
Engolida de novo pela terra.

De um braço pendia o que fora
E desde os dedos principiava o final.

Construído, pedra sobre pedra
Extractos por si erigidos
Como um monumento que não fica
Quando parte.

Escapam-se-lhe, talvez, as unhas
Como registo não intemporal.

Engolida a montanha
Caído o monumento
Derretem as pedras
Termina o momento.