domingo, 15 de janeiro de 2012

Todos os poetas são feios

Todos os poetas são feios.

São especialmente feios os poetas que tentam sentir:
Que se tentam, não sentem verdadeiramente
E o que escrevem é, tão somente,
Uma mentira mal sentida (se fosse bem sentida, não se mentia).

Todos os poetas são feios.

Especialmente aqueles que usam palavras caras
Não pela sequência de letras ou pela demagogia do dicionário
Mas pelo cansaço que trazem ao espírito
E pelo regozijo que levam por dentro de si.

São feios: são feios os poetas.

São feios os poetas que escrevem palavras (palavras) e mais palavras
E que no fim de todas essas palavras:
Surpresa. Têm vida fora das linhas de um caderno
E são palavras apenas que depositam entre margens.

Supreendem-nos, os poetas, com a sua fealdade.

Pois que deveriam estar aprisionados entre estantes!
E as suas palavras deviam ser da mais extrema pureza.
E o seu espírito devia ser tão bem pensado.
E as suas acções nunca deveriam ser dispersas.

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