quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

thank you mrs shiny

she doesnt shine
she lights up the sky:
her smile
is enough to purify the world.
she is the work
where some other stupid god
or maybe an artist?
deposited some more effort
and thus
came she
this perfectness, this beauty.
the sky rains
for her.
at night,
stars cry
when they see her
and stars die
when she sees them.

she is utmost perfection
when she walks
the world turns a bit more
just to feel
that it is walking with her.
and the world is envious
and the stars are envious.
i dont know why:
i don't know if they want
her beauty
or if they want
to touch
such beauty.

but stars cry
when they see her
they are far
they can't touch
and they get the poorest of glimpses.

and the world dies
every time she falls
every time she jumps
every time she moves
the world dies
from her touch
the one touch
that stars would also
die for.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

=1

Abri as portas
Para os corredores
Da morte cutânea

E eu
Enjaulado
Pinga a pinga
Gotejava
Esvaziava-me
A mim

Por dentro
Não queria
Não podia
Outra vez

Por isso parei
Para apanhar
O suspiro último
Daquilo que sou
Neste mundo
Retrógrado.

1

Abri as portas
A dar para os corredores
Da morte cutânea.

E ali estava eu
Novamente enjaulado
Pinga a pinga
A gotejar
A esvaziar-me
De mim

Morria então
Por dentro
Não queria
Não podia
Morrer outra vez

Por isso parei
Para tentar apanhar
O suspiro último
Daquilo que ainda quero ser
Neste mundo retrógrado.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Bota acima bota abaixo

Nós levantámos
Os braços
Para mostrar
Que podíamos
Quase voar
Tão alto
Como aqueles
Que têm asas.

Levantámo-los
E o Sol riu-se
De nós
Sozinho
Enquanto
Nos queimava
A cara
E secava
As lágrimas.

Teve de ser
Assim.

Mais nada
Mais ninguém
Parou
Para ver
Levantar
Os braços.

Só o Sol
Só uma testemunha
Que se riu
Enxugando lágrimas
Queimando caras
E a pedir
Que mais alto
Levantássemos
Os braços
Mais alto.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Quebra na conversa

Pois que não há coisa mais feliz que poesia!
Ela é vida: é rebeldia, forma de ser!
Melhor que rimar, será quando não rima:
Como as desgraças que temos de sofrer...

É uma presença quando tudo se vai
Uma companhia nas horas escuras
É iluminação, inspiração e tudo acabado em ão
Não sendo lamechas: é a voz do coração.

Custa a mim saber de quem não gosta!
De quem à poesia tem desdém!
Pois eu acredito que em tudo nos acompanha
Esta poesia, tantas vezes estranha.

Dedicado à mademoiselle Daniela Melo, que à data, não gostava de poesia. Mudará?

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Meu amor sem nome

As flores nunca abriram
Para nós,
Meu amor,
Mas que não importe nunca
O florir de folhas mortas,
Quando a tua face
É roliça e verdejante
E a tua boca é botão
Que se abre
E sabe florir,
Quando a tua face
Alberga olhos
Comparáveis a pérolas
Polidas por lágrimas.

As flores nunca abriram
Para nós,
Meu amor,
Porque não eram flores
E porque tínhamos
Os olhos
Tapados
Pelas mãos erradas.

1...
2...
3...
Quem te tapa os olhos?

domingo, 19 de fevereiro de 2012

instantâneo

a minha é diferente
não sei se é contudente
não sei se corta ou se sangra
sinto que é diferente
que não é genial
que é feia
que cheira mal
que não presta
não me satisfaz
por isso não satisfaz ninguém
nem nada
a minha é diferente
não sei ser vários sendo um
não sou tão moral
não sou tanto sangue
não sou tanto pão
não sou tanta paixão
não sou
não sou
não sou
não sou

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Contradição

O que vês?
Não era antes
Mais fácil
Fechar as persianas
E correr os estores?
O que vês?
Abriram-te a janela?
E o teu olhar
 Fugiu
  Para demasiado
   Para não regressar?
Não vês nada?
 Então porque sentes
Que precisas de emoldurar
Palavras
Se não vês
Se não as podes ver?
O que queres ver?
Se fores tudo
Serás nada
Mas se fores nada
Nunca serás tudo.    

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

The other half of BLUE

Even if I'm not
Made of bones and flesh
I'll still try to carry on
(That's my dearest wish...)

There ain't no other way of being
I need nothing else but you
And me.

I've been half for too long
And now it's time to see
Who you are.
Are you,

Part of me?

We are half what we become
We are half of what we've done
If we're not fully complete
I think there's something I need.

And that is you:
The other half of blue.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Carpe Diem

Para que possamos sentir o mel nas nossas bocas
Assim e os lábios escorrendo saliva
Sentindo um sabor intenso e verdadeiro
Como os desejos que sentimos nas profundezas do nosso silêncio.

Para que possamos fazer amor àquela cara bonita
Que nos surge nos sonhos mas nos foge da pele
E para que ao sonhar demos o passo da realidade
Em frente ao rumo do desejo que censuramos.

Para que possamos ser vilões mórbidos e heróis
No paradoxo de ser tudo sem ser nada
Quebrando penhascos em saltos vazios
Para um suicídio no mar e chegar ao fundo e às pedras.

Então não seremos mais humanos do que antes
Do que nunca fomos sendo completamente
Esta prisão de carne ossos e sangue para uma alma
Que não é jaula menos confortável que a minha cama.

Mas para abanar este pó das nossas artérias
Para amar e amando sofrer completa e inteiramente
Teremos que sonhar desejar ainda mais
Até para lá que os desejos nos quebrem a censura.

O segredo é que um dia vamos ser todos restos de sombras
E haverá quem troque os nossos nomes e deixe a essência
Assim como quem trocará a essência deixando o nome
Mas o que importa é Carpe Diem.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Sobre vestidos xadrez

Toque-me com vosso xadrez nas têmporas depois de o tempo se ter tingido.
O céu é cinzento em momentos, mas toque-me nas têmporas para que saiba a sua mudança
E para que compreenda quando ameaça chover e quando o Sol vai queimar,
Toque-me com o seu vestido xadrez nas têmporas.