domingo, 25 de março de 2012

hiper vómito espaço tempo


ainda estou parado.
e sorvo - ah
sorvo, pois
toda esta imensa dor
que não sei bem se sinto.

que raio - faz-me contente
e deixa de ser essa divindade que eu não posso alcançar
mesmo sendo um deus!

mas não vale a pena pedir aos céus candura
e nada se demora no entrave da minha língua.
então fico parado e sorvo contigo - mas sorvo sozinho!
- toda esta imensa dor
que não sei bem se sinto.

e depois se pudesse ter mais coragem
virava-me para ti muito de repente e arrancava-te do domínio dos astros
para o domínio dos meus braços!

só que eu sempre fico parado contigo
e quando fico parado comigo vejo dezenas de cenas diferentes
cenas do que podia ter feito para te dar a mão e para que percebesses
o quanto gosto de ti.
mas já nem sei dizer essas simples palavras sem medo.

sábado, 24 de março de 2012

Abre os olhos Rapaz

Rapaz
Abre os olhos
A vida não é nada poética
Só mesmo tu
É que vês rimas
Nas tuas desgraças.

Mas não deixes de rimar por isso
Que poucos sabem fazê-lo de forma tal
Que preencha totalmente esse vazio no peito
Dos Homens que amaram sem palavras na boca ou nos dedos.


E os Homens que rimam
Amaram tanto ou tão pouco
Que podem imprimir em folhas
A dor exacta que o mundo sente.

Como o primeiro

Sei que não há amor
      como o primeiro
Por isso amar-te-ei sempre
         como na primeira vez
Talvez assim
       amando
                  desta forma
Ames tu também
          pela primeira vez
                      outra vez
E então
     perceberemos juntos
                que amar pela primeira vez
     é sempre diferente
                em todas as vezes
que voltamos a amar.

sábado, 17 de março de 2012

A ver navios

Oh
    oh
        olá
O tempo já não volta atrás
E eu fiquei parado
A ver os navios passar

Não
    não
        não
me digas
     adeus
          agora
Fica mais, demora
Pinta agora a tua ausência
Para que eu possa ter paciência
     Para esperar por ti

És o amor que sempre vi
És a demora mais constante
    E eu aguardo, ansioso
          Que passes num navio,

Porque me sinto tão cheio,
          Porque me sinto tão vazio.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Não é perder uma parte de ganhar?

Não é perder uma parte de ganhar
Em tudo o que faças, em tudo o que digas
Ameaçam as nuvens a fechar-se sobre ti

E existem mãos prontas a te agarrar
A fazer que com menos e menos e menos te sintas
Como alguém que conseguiu vingar?

Quando olhas para cima em procura de refúgio
O consolo das nuvens fechadas sobre ti é ausente
E o que pensavas ser o teu melhor partido
É, afinal, um incoerente pedaço de tecido
Premido contra a volatilidade da testa
Seco de lágrimas, seco de sangue
E estourado, esburacado e premiado
De mãos que te agarram
E primem a destruição
Do teu ganho.

Não é perder uma parte de ganhar?

sexta-feira, 9 de março de 2012

Shine a lil bit more

Brilha mais
Com a chama de mil almas
Que se acendem com o respirar da tua voz.

Dá corpo ao luar
Cria magia, solta coelhos das mangas
E despede o mundo num sorriso.

Esquece o tampo e o tempo da mesa
Sente sempre o duro do chão
E tem cuidado com o que dizes
(A maior parte das vezes, não)

Vomita criatividade
E Criatividade = Tu x Imenso
E procura a genialidade
Genialidade = Tu x o Resto

domingo, 4 de março de 2012

Shallow

to never again
be completely yours
almost it means
shallow
no love
need love
if you are shallow
you shall not love
after love