sexta-feira, 29 de junho de 2012

Haver gente, há


Há gente com sorte –
Recebem canduras em bilhetinhos
Amaricados, cheios de papéis amachucados
Com um tempo de vida de entre
Cinco a muitos poucos segundos.

Há gente com sorte –
Em que não é preciso o amor.
Parece que se lembram deles
E escrevem, e eles recebem
Com um tragar avarento e – para quê isso?

Há gente muito triste –
Recebe meia dúzia de palavras
Como ovos, assim, frágeis, muito
Frágeis. E
Partem as palavras todas.

Há gente –
Alguma gente
Que escreve ovos para bolos
Que acabam confundidos
Com tinta de cave.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

fqmfam

foi quando me faltaste a mão

eu sempre dando a minha
sempre fazendo o que não farias
(toma nota: eu já sabia como ia ser
eu sabia mas deixei acontecer)

foi quando me faltaste a mão

mas não importa, eu desvaneço
para que não sintas a falta da minha
(ou para que sintas? será vingança?
talvez me queira sentir importante)

foi quando me faltaste a mão

mas não importa, eu apareço
porque há tantos mais que se estiquem
(desossam-se e quebram os dedos
para me dar as mãos, entendes?)

foi quando me faltaste a mão

eu, mesmo já sabendo, como já disse
finalmente tive mais que muitas razões
 (para trazer de volta o meu braço
e retirar as mãos do teu apoio)

terça-feira, 26 de junho de 2012

....

todos nós por dentro
imenso de negro algo de preto
 luz nenhuma

todos nós por dentro
roemos ossos que são nossos
paz nenhuma

todos nós por dentro
planeamos o ataque
fraquejamos sempre

quando se faz algo por fora
acaba tudo,
é foda

segunda-feira, 25 de junho de 2012

now throw away everything

now throw away everything
and turn away everything
deny me
defy me
and I'll escape myself

now throw away everything
and turn away everything
deny me
defy me
and I'll escape myself

*unoriginal*

sexta-feira, 22 de junho de 2012

fae

bizarro com os dentes de fado
proclamando respeitos a traques altos
cuspindo no chão e na mesa

anarquia e descontrola-se tudo
lembrai-vos todos de ser universal
esqueçam a parte individual

hipérbolizando hipocrisia
faz o que fez e o que dizia
e não interessa, faz porcaria.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Et


E foi assim. Como sempre: um pé
Depois outro pé. Formar passos.
Numa fuga que começou lenta
Bem lentamente. Atropelando-se
Por vezes, caindo, olhando para trás,
Como se o passado fosse o mesmo
Ou alguma coisa fosse ainda igual.
Para começar um novo ciclo
Uma nova roda imperfeita
Um caminho sem caminhos,
Um inicio no fim.

domingo, 17 de junho de 2012

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Um adeus

Um adeus agora
A essa incapacidade para cativar
Que tens, cidade.

Adeus aos que te entendem,
Fatalidade vertical dos mais falsos
E que menos se compreendem.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

De que vale?


De que vale?
É que isto não faz sentido!

Ando aqui, por aqui
Sem saber.

Afinal porquê (estar vivo) ?
Onde chegar
Porquê caminhar?

Em relação à vida
Como olhar?

Regredir?
Avançar?

O Amor é coisa de todos
Os organismos
E não é por isso menos nosso.

Talvez regredir
Para encontrar…

Porque avançar
Pode não resultar.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Importance


Estava ali à procura da minha importância
Para me sentir importante
E – oh! Ousassem duvidar –
Ali, caso encontrasse
Teria a mostrar
Essa importância.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

O Poema Da Mayara


É sério
É raiva
É sair coisa bonita
De uma pessoa qualquer
E eu que quero o mesmo
E não consigo fazer?

E ser poeta
Para ser
Ter de nascer com um dom
E sentir, e viver
Conseguindo escrever
(Como fazes lindamente)

Parabéns porque te odeio
Por essa forma de falar assim
Eu queria tanto
Mas a poesia não é para mim…

Dá-me, um pouco
Dessa beleza interior
Quero isso
Quero isso tudo, para mim
Quero eternizar,
Eternizar-me
E o que sinto
Em palavras doces
Como fazes tu
Como digo eu

E este poema é teu
Nem sabes que o escreveste…
Mudam-se as linhas:
Também sabes, percebeste?