sexta-feira, 29 de junho de 2012

Haver gente, há


Há gente com sorte –
Recebem canduras em bilhetinhos
Amaricados, cheios de papéis amachucados
Com um tempo de vida de entre
Cinco a muitos poucos segundos.

Há gente com sorte –
Em que não é preciso o amor.
Parece que se lembram deles
E escrevem, e eles recebem
Com um tragar avarento e – para quê isso?

Há gente muito triste –
Recebe meia dúzia de palavras
Como ovos, assim, frágeis, muito
Frágeis. E
Partem as palavras todas.

Há gente –
Alguma gente
Que escreve ovos para bolos
Que acabam confundidos
Com tinta de cave.

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