sexta-feira, 27 de julho de 2012

ÀAA


Os teus olhos atestam
Nada
Que eu não sei ler nada
No meio desse ramal
De verdes incandescentes

Que às vezes pensei dizer-te:
Muito que tentes
Nunca me mentes
Que os teus olhos
Tudo me mostram

Mas eu sempre soube
Que nos teus olhos
Eu via o que podia
Não via o que queria
E o pior de tudo
É que só podia ver-lhes cor

E porquê então
Se eu não sei falar contigo
Porquê entender
Porquê aparecer
Porquê ficar?

Soltam-se as velas: zarpa-se
Sem peixe o mar só mata
E deixa sozinho
Sozinho

Vai-se : sem destino
Até onde se for.
O que vier veio
O que passar passou
Eu escolho o que calha
Deixo o que não valha...

domingo, 15 de julho de 2012

AFP

Tudo isto de há 18 para cá
De para antes nada
De para lá vindo

De antes pouco vivo
De frente nada vivido
Presentemente tudo mal feito

De antes inconsciente
De frente sem noção
Presentemente lutando

De antes paranóico
De frente louco já
Presentemente cagando-se

sábado, 14 de julho de 2012

Et I never knew how to speak in French


No fim, é sempre aqui que me encontro,
Mesmo que não saiba quem sou.

Já percebi que a cidade me regurgita
Tal qual as pessoas,

Mas aqui, no meio do campo
Sinto-me reunido comigo.

Apeteceu-me chorar: o meu campo ardeu.
A minha horta morreu ainda mais.

Parecia que toda uma extensão de mim
Se tinha perdido.

E, ainda assim, eu conseguia
Ver mais do que antes.

As chamas tinham levado às cinzas
A maior parte do que havia,

E de repente, tudo era maior
Tudo prometia voltar mais verde…

Só é forte cá dento

Aquele era esperto,
Em dada ocasião
Sentiu que tinha uma certa superioridade
E que podia esfregar (esfregar?) em cara alheia
Uma coisa já muito bem sabida
De quem a possuía.

De ser esperto,
Percebeu-se logo a descrença
Passível no indíviduo
E o total chafurdar na merda
A que apetecia obrigá-lo.

Os meus olhos não devem ter ficado chateados
Nem nada disso,
Nem devo ter feito um esgar
Ou uma cara estranha,
Só quem me conhece me sabe
Essas cruezas.

Mas, cá por dentro
Já as vísceras voavam todas
Os membros puxados para lados diferentes
Empalado de um lado ao outro
E a sua cabeça completamente esmagada,
Ali mesmo, no chão, numa maré de sangue
E miolos.

Puta da raiva
Só é forte cá dentro.

.,afe

Um cancro de pele que se alastra
Sintomas reincidentes de não prestar para nada
Horrores em espelhos, cacos no chão

De volta a não estar, e não ser,
Seringas de ilusões diferentes
Das que iludiram antes.

De repente, assombro
Porque é tudo outra coisa

E porque tudo morre,
Não sou imortal,

E porque não faço nada que me suporte,
Nem tenho ninguém que me ampare

O peso completo.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Answering the dark black void

Podia ser polémico dizer mais:
O que se quer dizer, às vezes
Cala-se.

Mesmo desprezando-se a acção alheia:
Compreenda-se neste agir
Acção interna,

Regulação do organismo
No sentido de pulsar
Correctamente.

e

Breath

domingo, 8 de julho de 2012

Don't take me for granted

Acting so lightly, your words annoy me
Saying how I should do and how it would be
If you had taken the chance if you had taken control
But overall, overall
You'd be the first one to fall

Don't take me for granted
Don't take me for that part only
I'm much more, I'm much more
And if you can't see me
You can't see you

Hide your face, bury it in the sand
You will never understand, how could you?
You say your lies are something priceless
Needed for everything and all
But can't accept the truth
And overall, overall
You'd be the first one to fall

Don't take me for granted
Don't take me for that little thing
I'm much more beneath this
I have things you always missed

Don't take me for granted
When you wouldn't be
Don't care what I have done for you
But should I ask

What have you done for me?
What have you done for me?
What have you done for me?
What have you done for me?

So don't blame me
I'm not granted
Not third party voices will stop me
From disappearing
From your
Sight.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

eeeq

É hoje:
O dia em que fecha,
Em que acaba.

Não morre, que esse
É um prazer que seria
Agora, demasiado prematuro.

Não há mutilação
Nem marcas de corte
Nem nada.

É necessária uma calma
Uma outra forma de estar
Aquela verdadeira parte de pensar.