segunda-feira, 24 de setembro de 2012

355

Oh sangue do peito
Sangue que pulsas e dás vida
Quanto de ti não pulsa e fulmina

Quanto de ti não bate tanto que foge
Quanto de ti não escorre para longe

Oh sangue do peito
Vida e morte do sujeito
Porque bates com este aperto?

Quanto de ti não bate calado
Quanto de ti não se sente acabado?

354

nunca mais escrever para alguém pensara
ao que se vê nunca parara 

domingo, 23 de setembro de 2012

353

parei de olhar
já via

havia problema

parei de pensar
já sabia
 
não havia problema

352

gostar de pessoas é como ter um jardim:
sempre se renovam as flores
só as árvores continuam eternamente ali

sábado, 22 de setembro de 2012

351

chegados à praia deserta e náufragos
mordidos em roupa lavados em sangue
perdidos de tristeza

a praia belíssima

dias passados com fome
lábios gretados pés esburacados
perdidos de tristeza

a ilha riquíssima

meses finados corpos macabros
esqueletos contorcidos
já mortos nada perdidos

futuros enterrados

350

Caros problemas pessoais?
Percebei: não são nada.
Não me importo com esses tais
Importância não lhes é dada.

Se são pessoais e envolvem gente
Digo, repito, nem hesito:
Sou completamente indiferente.
Só tenho problemas por quem não desisto.

Quem se acha problema que pede atenção...
Infelizmente só eu sei se trato.
Não me interessa a indignação:
Nem toda a gente merece, de facto.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

349

não se ouve nada
sumiu-se o burburinho de sempre
a poeira desce a deitar-se
com os mortos

não se houve nada
mas há quem grite

apodrece no chão
a humanidade
em auto-destruição
em imbecilidade

terça-feira, 18 de setembro de 2012

XVIII

Distanciado do real logo pelo suporte:
Virtual, de ainda mais distância que papel.
Papel ainda se sente, ainda se cheira,
Teclas batem-se sem tanta paixão...

Olho para trás e acho que me faz tanta falta
Eliminar tudo o que já fiz como
Reorganizar-me e transformar-me e
Reviver a inspiração.

Ou deixar de pensar para estar
Concentrado onde estou:

Ser mau como sou
Ser bom como sou

Ser justiça própria
(Tão contestada
Tão invejosa
Tão ignorante)

Lembrar-me que nunca soube
Ser pessoa.

Porque as pessoas têm preguiça
Para as outras pessoas.

(E talvez até
Tenha grande parte de mim pessoa)

domingo, 16 de setembro de 2012

G&T

Um olhar demorado:
Da família
Dos que observam expositores.

Volto a dizer que farei muito
Até me fartar de não fazeres nada.

Podes chatear-te à vontade:
Nunca te tive à porta de casa.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

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tão perto de dois lados

comemo-nos
incessantemente
tragar ávido:
última refeição.

partilha:
medo
mais morte.

ideias incutidas?
ah! realidade abstracta.
filosofia escolar barata
aconselhando igual:
foder foder foder

nada (não há)
discussões velhas
passatempos.

fizeram-se?
outros lados
caminhando com dores.

tudo semelhante
foder foder foder.

desejos:
paz
e vida
e beleza
e saúde

medalhados:
sangue
e dor
e guerra
e morte.

hediondo
morte natural
não se pede
a seres iguais.