quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Quereis um melhor título dize please

que chova para sempre
como nunca choveu
esta chuva é que me contamina
é que me mostra e ensina
que há sempre mais alto por onde cair
sempre uma viagem obrigatória de ir
e sem qualquer forma de ficar
sem nenhuma forma de voltar
que caia o mundo afogado
como a minha mente afogada está
como todo eu troveja e fulmina
que tudo isto é sonhado
se nada faz sentido é porque tudo tem de cair
lá bem do alto para poder realmente sentir
e a verdade é que ao chegar ao chão
tudo é um colapso refrescante
um refrescar de ideias e um batalhar
muralhas derrotadas e derrotado o mar
feitos vales erguem-se montanhas
correr caindo correr caído
levantar-se e ser todo sozinho
e não ser nada

poder englobar tudo no que vaza
ostentar em braços o que se ve
cair com a chuva sem perguntar porquê
cair no chão e construir casa

diz lá

por vezes, quase perdido
converso perdidamente contigo.

só não posso aceitar conversas
que peçam ar a passar pela boca.
porque há mais maneiras
de conversar, tenho outra.

um diálogo em silêncio, sozinho.
às vezes penso que falas comigo.

domingo, 14 de outubro de 2012

enenenfim

todo ele guardado e
muito mal escrito e descrito
como se podia ver, afinal
que raio de coisa para se pôr numa caixa
e o pior? não ser ocorrência isolada
estar ali guardado e fechado à saudade
um pedaço de vidas passadas:
tendências on-line e chocolates por carta
desenhos mal pintados e frases completas em inglês
passeios em belém e mergulhos no jardim
esperanças já mortas
enfim

Para os lados? Nada.

Ninguém olha para o lado.
A vista? Perde-se na frente.

Perde-se o que é passado.
Vive-se o ainda ausente.

Ninguém vê com olhos verdadeiros.
Apenas com uma forma rudimentar de ver:
Benévola após confirmados receios,
Mas tão cega para o que está a acontecer.

Está toda a vista perdida.
Não há sentidos que acudam.

Não há quem oiça ou sinta.
Tudo para a frente,

Nada para os lados.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

357

Had he not thought before
He would now think of himself
As crazy.

There were the sheets:
Lying in their desperate sleep
For his eyes they couldn't meet.

But has he bowed down to notice them
Gently did his hands go further deep
Into what he had done, what he had been.

Gently enough he greated sorrow
Remembrance of things past
Sadness for what hadn't been done
Laughter for every other mistake.

For objects meet no fear.
Fear comes from within.
And through looking at what he had been
He now knew what he could become.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

356

A PSP consegue bater com
A mesma vontade com
Que batia a PIDE. Com
Bastões pensados para actuar com
Ainda mais dor, com
Ainda mais gritos, com
Jarros de sangue. Com
Uma sociedade podre, com
Gente podre vestida de polícia, com
Comandos de merda em fato.

Com comando, mas sem o seu.