sábado, 26 de janeiro de 2013

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Amigo que me acompanhas,
Já acho estranho o teu silêncio.
Já acho estranha a tua forma de florir
Em que entrelaças as mãos e te regas.

Amigo, já te escutei o que podia,
Já te ouvi, já te sei, já te vejo.
Consigo olhar para ti e sinto-te na pele
Como se a tua pele fosse minha.
Porque sinto os joelhos queimados das quedas
Que demos, sei o sabor de quando nos levantámos…
De todas as vezes que nos levantámos.

E adivinho nos teus olhos, em ti,
A tristeza mais colossal, o fardo mais pesado,
O fado mais negro para ser vivido.
Sei na tua coroa as lágrimas de tanto.

Vejo-te, as tuas mãos entrançadas
A tua grinalda ao colo, o teu ímpeto no chão,
Essa coroa de flores nas pernas,
Essa tamanha tristeza
Essa perene solidão.
Vou ficar mudo e sem respostas para ti,
Amigo, a nossa condição não é nada.

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