terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Instantâneo



De pouco te serviria saber-me melhor
Que eu a cada momento mudo-me e
Nem eu nunca sei quem me faço.

Se há falta de símbolos que importem
Eu não tenho aonde me prender e
Isso é fonte de desgosto maior.

Por isso que a palavra seja clara
Porque isso é falta de melhor e
O melhor é tudo o que me falta.

                Percebe que eu te sussurro
                Para tentar iludir-me de que não te digo
                Mas oiço-te
                E será talvez essa a razão maior
                De continuar tangendo a língua
                Ao sabor do teu nome,
                Qualquer que seja.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

café às 9.30h

Chegaste!
Eu tinha as mãos quentes
Quando as apanhaste
Do café que pousara na mesa.

Sempre que te olhava
As minhas mãos escaldava-as
No café,
Num esforço de sentir.

Perdoa-me!
Foi assim que no vulto
Da cafeína te aprendi
A amar.

Com a sensação forte da
Queimadura breve
Como a paixão
Que nunca esteve.

E invoco por isso a cada momento
Uma nova chávena fumegante
Para te poder sentir
A queimar-me os dedos.

É que se o amor aquece
Eu aqueço as mãos e
A sensação que tenho
É quase, quase igual.

Depois tu levas-me de mão dada
"Tens as mãos quentes, amor!"
Pois claro tenho, mas por favor,
Um golo para a minha cabeça, que vai gelada...

voltando ao café

Estou aqui sentado comigo
E digo-me que
"Não sei o que quero dizer"
Que o meu significado fugiu
Já, para longe.

Que me dizes?
Que apenas a noite me alimenta
O vazio dos braços por entre
As horas despertas,
No túmulo dos dias?

Não, basta.
Porquê ter cada momento
E não o ter por ser mal
Cumprido? A verdade
Que trajo nega-me.

Dói-me o bastante,
Já ter de suportar dói.
Eu sou quem me vejo
Ou quem me faço
Ou quem me vê?

Por isso, a minha parte mal feita
Precisa de quantos retoques
No córtex de estar vivo.
Enquanto me sento sozinho
Bebo um café comigo.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

avante o Império desperto
está em cesso a noite mas
o dia é ainda distante

quem virá agora
na agonia dos dentes
morder ao destino

que não se apresse o tempo
que a coragem venha
que o uno seja um

convenha ao mundo renascer
no Império descoberto
à enxada do tempo remoto

o sempre presente oposto
a sempre salvação sadia
o sempre valor nulo de viver

avante o Império desperto
está em cesso a noite
mas o dia é já adiante      

Veritates

Temo que neste momento
Pouco inerte haja em ti.
Nada fica no tormento
Dos dias de mim.

Que importa? Morreria
Se à sepultura chegasse.
Por ir-se cedo, não seria
Melhor nunca que durasse.

Com a gadanha dos dentes despertos
Rangendo na tritura das razões,
Sabes os meus desejos.

Não tenho condições
Impostas à minha vontade,
Que não a de ser toda verdade.