domingo, 10 de março de 2013

R.C.V.

Senhora de verve escassa
Nas voltas que dá no salão
É quando por mim passa
Que enfim lhe estendem a mão.

Parai! Não seja fútil em tal enredo
Nobre dama, conheço-a mais afoita
E tudo o que é belo esconde por medo
De que a prefiram completa tonta.

Ao invés de ensinar seus modos
Estica a saia num gesto com o sapato
Fitando em carteiras os rostos
Daqueles que nunca são de seu grado.

Senhora de verve escassa
Arranque agora a sua ilusão.
Em si sei mais bonança
Do que em toda esta porquidão

Por isso que a espere hoje aqui,
Na erma noite soterrado,
Para a ver brilhar - assim
 Como as estrelas - deixe-me espantado.

Em aplauso consternante então
Sua cara aústera, linda, corada
Finalmente na noite iluminada
E, senhora, eu dando-lhe a mão.

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