segunda-feira, 29 de abril de 2013

In many deep breaths



Pior que a suposta dor que atormenta
O bicho que remexe nas têmporas
O calo que rebenta nos ossos
E o maligno que se evapora dos poros.

Pior que a suposta dor que atormenta
Pensar perder o que vale tudo e nada

Por isso que facilmente largue
O que vale o efémero que brada.

domingo, 28 de abril de 2013

ham z k

Thy who think of one place and only
Join hands, think thoroughly
No place is one but all
The earth itself that we call home
No man is but a brother to a brother
Who is long lost and to meet
No man is a country nor an island
For a man his bounds
He who joins hands
Stands above
In the same ground

sábado, 27 de abril de 2013

quinta-feira, 18 de abril de 2013

dia 20



Eu não tenho raiva,
Tenho cansaço.

Estou numa condição
De cansaço tão supremo e vigente
Que teimo já em que o amarelo do Sol
Em nada altera os tons de cinzento que vejo.

Eu não tenho raiva,
Tenho cansaço.

Estou cansado, cansadíssimo,
Destas coisas funestas na sorte de cada um
Que ditam um ritmo, nunca o mesmo,
E nos pedem para marchar em sincronia.

Eu não tenho raiva,
Tenho cansaço.

Um cansaço que não tem onde se deitar
Pois estas coisas que cansam são sempre iguais
E os dias que cansam são sempre iguais
E as pessoas que cansam são sempre iguais.

Eu não tenho raiva, tenho cansaço.
Tenho cansaço.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

corrido



Caminhei toda a noite para semear a tua recordação
Por entre os vagões da minha vida.

Isto passa-se mais depressa do que a minha paciência
Soube alguma vez acompanhar e finou-se.

Caminhei toda a noite para semear a tua recordação
E no final o que semeei foi no bolso da camisa
Um bocado de papel rabiscado com as flores
Que iriam brotar caso se regasse as coisas devidamente.

Isto passa-se mais depressa do que a minha paciência
Capta e os meus olhos como um filme vêem as imagens
Todas juntas e distorcidas e movimento na sua estática
Que teima em queimar-me sem respostas.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

gruarfuygaoebuaeiuaevouaebvaeuvu

corróis-me
na iminência de uma resposta
encontra-se o peso maior
que mais soterra
e que mais pesa
porque se faz um esforço para o suster
até que a resposta

construa
ou destrua
alicerces

domingo, 7 de abril de 2013

It. Ca. - CNL



Se cortar esta laranja é natural
Que escorra sumo e que
Se revelem os gomos carnudos

Tal como se cortar o braço é natural
Que escorra sangue e que
Se revelem as carnes doridas.

Assim o Homem que morre em disputa
Morre na procura de matar o outro Homem
Para que ele sobreviva e possa morrer
Só depois de se ver mais cumprido.

Assim o Homem que morre em si
Morre na procura de matar a vida
Para que ele sobreviva e possa morrer
Só depois de se ver mais cumprido.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Um ciclo repetitivo repetido



Doloroso, a cada passo
O sujeitinho engraçado
Da rua um pouco atrás
Debruça-se para a frente
Como se numa varanda estivesse.

Doloroso, entenda-se a olhos
De quem o vê, sempre caindo
No imóvel e escuro desprezo
De mais um dia qualquer
Em que gente triste vê vizinhos.

Pois o sujeito como que gira
Como que tem um caminho
Sempre o mesmo caminho
Por onde tem de passar e por isso
Gira, gira, gira. Não pára de girar.

A outro dia, a mandar-se da varanda
Dos olhos de tanta outra gente
O sujeitinho engraçado morreu
No engraçado pormenor de estar vivo
E voltando no dia seguinte a girar.

Tal sujeito girava entre as coisas
Que a ele lhe traziam felicidade.
Por entre o ciclo da sua realidade
E a sua lealdade era para consigo.
O amor que trazia era benigno.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Eu sei



Exímio frequentador do café eu
Aqui me estendo como sempre pés
Bem assentes no chão mas
Enfim, qualquer coisa em mim me prende
A achar que a vida é assim beber cafés
E que não é nem nunca foi preciso mais
Do que uma bebida bem quente para
Fazer a vida andar para a frente.

Não é que nada saiba do que é
Mas no meu âmago beber café
É bem melhor do que me levantar.
E se me levanto é para procrastinar
Um pouco mais, mais cedo descanso
Mais tempo e aprendo em pensamento
Que cada profissão e cada pessoa
É uma vida penosa que custa o sofrimento
De ter que trabalhar para viver.