quinta-feira, 26 de setembro de 2013

pzz pzz. caralho

Do chão crescem sombras conhecidas.
O café arrefece com o movimento da colher,
Na mecânica do açúcar que se precipita
Enquanto se olha tudo, para olhar nada.

Fecham-se os olhos num esforço de
Ouvir as vozes ausentes há muito.

"E agora? O que me guia? Por onde ir?"
E o silêncio apenas.

As sombras crescem em mãos.
A cadeira oscila e o jornal são letras
Num qualquer alfabeto tão conhecido
Que não diz absolutamente nada.

O sujeito ainda de olhos fechados
Não tem luz de presença.

Nada mais do que um invólucro
Sem qualquer objectivo ou noção.

Tudo é escurecido pelas sombras.
 As lâmpadas do estabelecimento conversam
Num pzz pzz que se pára para escutar.
Porque pzz pzz por vezes faz mais sentido.

"Em todo o caminho que fiz
Não encontrei nunca certeza de que
Encontrasse a plenitude
Da razão
Ou da correcção
Ou qualquer confiança
De que fosse eu quem estivesse
Certo."

Os olhos fechados. Pzz pzz.

"Quer a sorte que agora
Me ache outro.
Por momentos
Numa confiança tão forte
Que ao final
Não é nenhuma."

"Talvez apenas interesse
O som das lâmpadas
Que agora não vejo
Por ter os olhos fechados."