segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

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Pensei que já tinha vencido um medo mas por vezes pinto de preto e relembro que o medo pode sempre estar.

Não sei o quanto coordenas ou se sou agente complexante forte para te agarrar ou se somos sal que em solução dissocia mas anda e depois de novo está de mãos dadas.

E se falhar e não conseguir e o tempo se revelar fugaz e voltares para de longe donde te aguardei?

Só quero preservar-te comigo no formaldeído dos nossos abraços intemporais. Sei já a que sabem os teus beijos: a um sabor inconstante ou a uma desculpa constante para pedir ao tempo para não prosseguir.

Como candeia vens e albergas-me na tua luz que ilumino também. Ressoamos como amplificadores das ondas que exalamos quando dizemos "Amo-te".

Já não sei ser artista ou escrever. Retomo e reparo que escrevi nas poucas dores da vida. Em amar-te não há dor que não seja bem-vinda... a inspiração não se escreve da mesma maneira quando o fôlego da criação se perde nos teus lábios.

Vem. Anseio por ti junto a mim.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Corrosion

filled with void
the black dream

unsuspended between the rift and beyond
walking, the man slowly turns to ache

and giants restrain all
but the perpetual movement

followed by weeping gestures
the paintings that surround us
slowly crumble to be set alive
pictures of what we are are painted

forever dead
until the perpetual movement
aches away even the paint
like it ached away all of the pain.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

qualquer coisa para ser

como chagas
os pressupostos em mim
"trazes toda a capacidade
para atingir um fim"
mas na mal fadada vontade
o culminar das coisas apenas
vislumbro caminhos que se fazem omissos
por entre risos que escancaram
as portas com violência tal que
o trilho deixa de querer ser caminhado
por escárnio do trajecto tomado
e boom!
acaba tudo num sonoro perplexo
de quem não quis que acabasse assim
e que em cada passo viu mil caminhos
mas que mil caminhos foram risos
risos que não importariam
se não fossem os risos que importam.

domingo, 13 de julho de 2014

para ti

O meu ser torna-se matéria incandescente
Às tuas palavras.

O calor que transportas dos teus lábios para os meus;
E o pouco que aguento sentir-te assim -
Mudo de estado e derreto
Metal fundido da paixão que és em mim.

A saudade na distância que o tempo leva;
Ou a epopeia das semanas por passar -
E a cada carinho que transmites
Sentir mais vontade de te amar.

Qual este fogo de metal e de gente
A alquimia pura de um sentimento diferente -
Ter sido chumbo pesado a vida toda

E ao unir das tuas mãos às minhas
O rearranjo de protões na alma...

Ou a forma de não ter como acabar este escrito.
Como quem diz - nem tudo está dito.

domingo, 29 de junho de 2014

LTII

(Uma luz suave abate-se sobre si mesma
Nas candeias que, frágeis, se apagam
Ao alumiar a casa no quarto.)

Dedos sôfregos apelam às mãos maiores
Por um pouco mais - de comida.
As mãos dão - dão tudo.
Um carinho de sabor amargo e
As lágrimas caem ao chão,
No escuro; precipitam-se no silêncio
De uma fome demasiada.

sábado, 28 de junho de 2014

Peço desculpa

Em tempos soube o que é escrever poesia
(Penso. Talvez nunca tenha sabido.)
Agora, quando tento escrever
Sucede, tão somente
Que as ideias se sobreponham.

Como se a cada palavra que escrevo
Enquanto a penso escrever
Já outra nasce e quer o mesmo lugar.
(E uma vez que não são bosões
Não podem ter os quatro números quânticos iguais
E portanto não podem ocupar o mesmo espaço-tempo simultâneamente...)

Por fim, o sempre igual sabor.
Não está acabado
Mas fica por acabar...

sábado, 14 de junho de 2014

GrapplingIgnorance

They caress hearts with brains not-found
404 error to those who are bound
The wheel the chair and everything else
And moving seems unfair in this madness.

Sickness runs on young faces
Brought demise bought demise by fakes
The ones who think they bestow authority
Authority no god was ever given.

god doesn't deserve a capital letter
As far as I am concerned
Your name is the one written with a capital letter

And god can only be written that way
If god is you
And if you are not good and not willing

If you are depressive oppressive and non-fulfilling
Then maybe the god you are is not shining brightly enough
Then maybe you are bound to a minor god
And that god is not you

Go for something greater!
Go! For your own thoughts your own reasons your own way!
The god you are is the god your name exclaims!
Proclaim your name!

                       But never forget
                       Be the fulfilling god
                       That after enlightenment
                       Brings enlightenment
                       Not only for a few
                       But if possible,

For the World.

terça-feira, 20 de maio de 2014

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É estranho... enquanto português, o meu blogue é maioritariamente visitado por brasileiros.
São 2,2x mais visitas do continente ao lado, em comparação com o país onde estou. Isto, contando só com o Brasil.

Bem sei que agora já pouco se lê poesia.
E que tenho ainda muito para evoluir, por sinal.

Talvez comece um novo formato.

domingo, 11 de maio de 2014

Da obscuridade da tua foice

abres-nos as asas demasiado cedo
quando nem tão pouco somos pássaros
porque o fazes?

é evidente que
és trágica.

de todos os caminhos possíveis
o teu andar no entanto
é tão somente
tão só
(imutável? porquê?)
o único caminho em que
apenas há a tristeza
para reconfortar a face.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Brr

Um medo - natural como a sede -
Cresce. Seca a garganta
Da mesma maneira que querer água.

Os punhos cerram-se.
(Se não roesse as unhas
Com esta força, talvez,
Só talvez,
Sangrasse um pouco)

A dúvida persiste
O medo insiste
A força evapora-se
E a garganta seca
(Não há água que me valha.)

Lutar pelo que quero.
Mas avistando já as intempéries
Temer prever fraquejar
- Incapaz de pular o muro
Cair redondo sem conseguir alcançar.

Depois os acontecimentos recentes
Fazem-se voz - Quando há agora quem não possa ter medo
E tu paralisas-te
Achas isso bem? Sequer?

Então lentamente puxar a âncora que prendia
Com cuidado para não arrancar a pele das mãos
(Há de ser precisa para agarrar tudo)
E com o medo no peito respirar!

Fechar os olhos quando os olhos enganam.
(Às vezes olhar traz ideias que não somos nós.)
E às tantas a garganta seca mas já sabemos beber.

domingo, 20 de abril de 2014

Bye, for now

Now
I am pretty sure that
The pitch black darkness - total darkness
Is covering your eyes.

Don't wander around my thoughts too much
As i sit by your side
My now gone friend and
Wonder about what you might have done

This was the most unnatural conclusion.
I was sure
No story should have been written like this.
For god - or whatever else! - what pen did you pick?

Your pain is now gone - of that
I am most certain.
But the pain you brought - your demise
Is the demise of those that loved.

Loved you.
I can't write that I did enjoy you too much
For I did not.
You were that which I wasn't.

Don't mistake this with hate
Hate doesn't have the privilege of my poetry.
And there is nothing to relate to myself
- My words think the pain that others feel.

Now
I know there is a pitch black darkness in your eyes
For the whole of eternity.
I hope you have seen enough when your eyes were wide open.

segunda-feira, 24 de março de 2014

It's gone on for too long and this is it

Dizes que compreendes
Mas a tua compreensão é limitada
E recusas-te a aceitar que agora é nada

Se o tempo já passou
O tempo não flui ao contrário
E tudo está a andar p’ra frente…

E não há nada para dizer.
Houve um momento em que o queria fazer
Mas agora
Agora

Não tenho vontade de lutar.
Porque a verdade é
O tempo passa e
Ficamos por aqui

A levitar
E não há nada que me faça mudar
De ideias
Quanto a ti…

Nem sei se dizes
Que não aproveitaste.
Que esperas de mim?

Não volto a quem não voltou p’ra mim
No momento correcto.

E o que eu sei é que sei

Que sair é o mais certo.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Epah é que mete mesmo nojo

Imagem... repugnante.
O que fazes para existir?!
Não tens cabimento no mundo natural!
(Serias seleccionado para a morte!)
E agora entendo a vocação dos Homens
Para a evolução grosseira de volta a entes estúpidos
No horror de um gesto teu...
De ver! Qualquer que seja!

Sobeja em mim discórdia
Qual a tua razão de ser?

Mas convém parar e abrir os olhos
A tua triste figura nada mais que distracção
Para o real problema que a todos acompanha.

O Mundo preenche-se de tolos
Os tolos enchem-se de "razão".

Talvez o momento da aniquilação
Para a espécie-rei no presente
Venha da sua própria gente.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Por repente lembro-me de algo

Vou exportar os meus dedos e as minhas mãos
Pois ao que parece são órgãos de valor acrescentado.
Como aquelas linhas em que se paga mais
Para se sentir melhor,
Vim sabendo que os tendões que compõe estas minhas terminações
São capazes de facetas e elogios que não cabem completamente em mim.

Não vendo barato
Claro está, apenas a posse a quem puder possuir.
Os nervos que aqui se encontram desejam o bem e o prazer
E dar a outro organismo apenas e somente satisfação.
A minha mão é a mão amiga
Que promove dar para receber na mesma medida.

Característica fundamental será
Possuir-se um coração dividido em quatro partes
Quatro partes funcionais que se encham e esvaziem
E um centro de operações cerebral
Que impeça estas mãos de cair nos mesmos erros
Em que caíram quando ainda eram os meus dedos.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

.....



                A mesma noite cai trazendo um manto gélido. As horas de luz que banharam este mesmo sítio, poucas horas atrás, quebraram já, longínquas. Tudo é gélido.
                Pensar em ti é como um cobertor sob o qual se arrefece mais. Constipas-me a alma. Tudo aquilo com que me tapas é ilusão: uma certeza única, de apenas um lado, e ficcionada. Ainda assim ao mesmo tempo sempre a consciência da realidade. Sei que faz frio porque eu quero. Porque puxo ainda mais e me enrolo com este cobertor de malha finíssima. As linhas quebram ao menor contacto e o frio entra imediato até aos ossos – e então são os espasmos e a hipotermia geral e dolorosa do pensamento, não querendo aceitar o que prontamente dás – a realidade de que nada é como queria.
                Astros há que me tentam orientar a caminhos de dificuldade para não te perder de vista – e te trazer mais à vista. Mas não: para mim basta. O caminho é sempre semelhante.
                A mesma noite cai trazendo um manto gélido. As horas de luz irão banhar este mesmo sítio, poucas horas faltam, chegarão, enfim. Mas, por agora, tudo é noite.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Submete Para Aprovação

Mãe, trago na mão
uma trela
Até onde?
Até ao coração

Mãe, passeio na mão
Na trela preso
O meu coração

A fénix em cinza
Mãe, para quando renascer?
O fogo que arde sucumbe
Ao não ter por onde arder...