sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

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                A mesma noite cai trazendo um manto gélido. As horas de luz que banharam este mesmo sítio, poucas horas atrás, quebraram já, longínquas. Tudo é gélido.
                Pensar em ti é como um cobertor sob o qual se arrefece mais. Constipas-me a alma. Tudo aquilo com que me tapas é ilusão: uma certeza única, de apenas um lado, e ficcionada. Ainda assim ao mesmo tempo sempre a consciência da realidade. Sei que faz frio porque eu quero. Porque puxo ainda mais e me enrolo com este cobertor de malha finíssima. As linhas quebram ao menor contacto e o frio entra imediato até aos ossos – e então são os espasmos e a hipotermia geral e dolorosa do pensamento, não querendo aceitar o que prontamente dás – a realidade de que nada é como queria.
                Astros há que me tentam orientar a caminhos de dificuldade para não te perder de vista – e te trazer mais à vista. Mas não: para mim basta. O caminho é sempre semelhante.
                A mesma noite cai trazendo um manto gélido. As horas de luz irão banhar este mesmo sítio, poucas horas faltam, chegarão, enfim. Mas, por agora, tudo é noite.

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