domingo, 22 de agosto de 2010

Vida

A àgua cai
A àgua sobe

O rio vai
E o mar dorme

Acordam as ondas
Levantam as marés
As gaivotas zonzas
Os peixes, bués

O pescador incauto
O barco assustado
O mar irritado
O homem apavorado

Um dia de trabalho
Só sobreviver
Viver é lixado

Quando se tem pouco prazer.

Beijo

Os teus olhos brilham
Os meus olhos miram
Os teus olhos correm
Os meus olhos fogem

Reduzem-se os olhares
A um momento apagado
Quando acordares
Estará tudo mudado.

sábado, 21 de agosto de 2010

Dor

Aaaaaah, que amar é fodido
(Ou fedido, o que queiras dizer)
E eu não sei no que ando metido.

Mas quando eu a abraço
E a beijo sem parar...

Se calhar deixa de ser amar.

Reflexão

Não é aritmética
Não é matemática.

Não é questão de fonética
Nem de gramática.

A palavra foi empregada
Com o desuso assimilado
De uma palavra sempre usada
Para algo de outro significado

Talvez já não seja Amo-te
Que tenho para te dizer apenas.

Confio em ti.

Amor

Enlatado
Entalado
Confinado
Enterrado.

Não, esse calor não está
Sobre o manto da terra
Esse calor que lá há
Não é o que em mim empera.