terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Confissões de um cadáver

Deixo-te esta terra perdida
Deixo-te esta maré de gente
Deixo-te uma alma corrompida
E sete quilos de semente.

Filho, repara e sente alto
Vê como é o futuro,
Um assalto,
Que transcende o obscuro
Deixa essas sementes no asfalto
E cria algo, cria vida
Nesta terra ressequida
Por não saber quantos saltos
O Homem já deu
Ou em quantos passos de gigante
Esta terra não morreu...

Diz-me que o futuro que te deixo
Tem ainda algo para dar
Se é esta a última vez que pestanejo
Algo de bom quero deixar

Cria e dá ao mundo
Um pouco mais de sapiência
Mostra que o nosso futuro
É amar a Natureza, não só a ciência...

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Merecer o esforço

Eu procuro saber
E por mais que me interesse o que devoro
Às vezes teimo em não aprender,
Só decoro.

Sabes, não que as palavras sejam facas
Que haja frases fortes e fracas
É só que conversar me dá jeito
Pois dá-me a conhecer alegria e aproveito.

Tenho pena de quem vem e depois vá
De quem esteve e já não está
Mas se uma vez me senti abandonado
Porquê passar novamente por esse mau bocado?

Tanto mais que já tive estofo para me recompor
E nariz para captar o perfume do amor
Não vou deitar agora tudo a perder
Pois que quem me deixa, não o pode merecer.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

s s s s s s s s s s s s

Amigos, quem os tem
Não sabe o tempo que ficam
Se enquanto o interesse se mantém
Ou até que os seus sentimentos mumificam.

Vêm e vão
Desaparecendo sem razão.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

De um apontamento de inspiração

As cortinas esvoaçavam
Dentro do meu quarto
Dentro de refrões que mascaravam
O meu aspecto magoado.

Pensei em fugir.

Pensei em esconder-me de tudo.

Pensei não existir.

Pensei desaparecer como fumo.

Pensei que não podia viver
Sem ter como me agarrar.
E lutar
Sem corpo para me erguer.

Pois que eu vivo mais,
A cada dia,
O tempo que passou,
Não mais viveria,
E espero mais alguém
Que eu possa amar também,
Espero ver um lume
Uma cara com saúde.

E ser braseiro.

E ser calor.

E ser a vida
E a alegria
E o jeito de viver
De alguém,
(Maior).

Que espalhe em mim
Tudo o que há em si
E me faça assim
Mais um pouco menos eu
Mais um pouco menos só.

Que me faça a mim
Um pouco mais o Universo,
Que me faça a mim,
Não um poema, mas um verso.

E que respire,
A sua emoção!
Que guarde em mim
A sua imagem
E o seu objecto
E que o meu dialecto
Seja apenas ternura e carinho
Como sempre tem sido
Para quem me tem vivido
Por mais que me custe
Morrer, no fim.

Porque morrendo vivo mais
E  a morte me traz vida,

Se de amar ainda sou capaz,
Amarei, então.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Esquecer de como se ama

Sinto-me atordido!

Não sei se procuro para me acalmar
Se tenho necessidade de amar
Se sou correspondido
Ou se me vejo querido.

A minha vista desvanece-se...

Deixa-me ver, pelos teus olhos
E sentir na tua mágoa...

E por ti viver aos molhos
Bebendo a tua àgua...

Queria ser uma felicidade
Para eu me sentir feliz
Não sei se é ser egoísta
Quando sorrir é a raiz...

E de amar, se me esqueço?