Putas mastigadas
Carnes estragadas
Nada para comer
Tudo a perder.
Deixo a vida a quem quiser
Deixo o sol para levar.
Não quero acordar
Não quero viver!
Sinto o dia a correr
O tempo sem vagar
Nunca passa devagar
E eu sempre neste lugar
O mundo sempre a foder
Quase a perder a cabeça!
Já não sei o que fazer
Quem me salva desta doença?
Amar, para quê amar
Se destrói tudo o que vejo
Somente o que não desejo
Pode cá ficar?!
Saio deste lugar
De cabeça vazia
Não tenho andar
Sou uma anestesia
E paro para pensar
Com o que me resta
Não falta nada
P'ra ficar
Não vou encontrar
Outra forma de ser
Por muito que queira parecer
Não posso mudar
Vou sempre continuar
O mundo é fodido
Faz-me escondido
Do que posso dar.
Já tentei procurar
Cansei-me de cair
Hoje posso virar
O mundo, matar.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Ser eu
Ser eu. Às vezes pergunto-me quem sou. De quando em quando acordo e duvido se o mundo existe e é real.
A vida faz-nos passar por montes de caminhos... ainda corri pouquíssimos. Do prazer e do sofrimento, da angústia e da alegria... certamente não quero percorrer todos, mas quero viver!
Nem sei bem porque escrevo (poesia). Sei que escrevo. Que já me abstive, já vi no meu escrever uma monstruasidade de que não queria tomar parte nem consciência. Mas sem conseguir largar, sempre tentando ser o mais... "eu" possível. Ser eu basicamente significa ser contrastes. Frio, lamechas, atento, desprezar... preocupado e, por vezes, um silencioso assassino, cruel, oportunista.
Viver a vida, é isto, é ser isto? Não sei - mas o caminho faz-se para a frente, não é verdade?
Os amores fizeram-me - a minha poesia é o meu amor, é a namorada quando não tenho, são os lábios que roçam nos meus, a mão que aperta a minha, os cabelos com que eu brinco, os olhos em que me afundo, a pele onde me envolvo com aquele cheiro que não me deixa... são a minha vida.
Não gosto de encubrir a minha vida - geralmente falando - gosto de dizer "amo aquela" ou "namoro com a rapariga mais bonita que já conheci" - perdão para quem não gostou de mim assim, mas sentiria-me trair mais se não fosse honesto - e era honesto a amar.
A rapariga mais bonita que já vi... não tenho a certeza quem seja. Se aquela por quem eu me perdi de amores, erradamente ou não, pouco me interessa, a mim só me ficaram aquelas recordações de pura felicidade - se da amiga pela qual me apaixonei tanto, de uma forma tão envolvente, que apesar de tanta merda que já tenha acontecido... realçando bastante a parte em que EU fiz merda - quero-a tanto.
Quero-a tanto, simplesmente. Quero abraçar a minha amiga de sempre... e se possível voltar a ser capaz de dizer que a amo com toda a naturalidade de antes.
Palavras pouco fazem.
Passemos às acções.
(E tu, ainda és capaz de me amar, rapariga?)
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Dissabores
Não chovia, mas o chão estava molhado
Passeámos abraçados para nenhum lado
Rimos das velhas de chapéu aberto
Foi assim enquanto estiveste perto.
Hoje nada procuro, falta-me condição.
A tua forma é a que me falta à visão
Mas por muito que esteja incomodado
Não tenho coragem para mudar o mudado.
Deixa que te diga, que sim te amei
Por amiga que foste, por quem eu sei
Enquanto estiveste nada se perdia
Foste-te embora morreu-me cada dia.
Mas na hora de voltares, eu repliquei
Não preciso de quem foi, mesmo de quem amei.
Senti-me pendurado, uma vez mais assim
Deixado num lugar qualquer, num fim
E sabendo o que me estava adiantado
Não olhei para trás em qualquer lado.
Irritei-me sozinho sem quem me irritar
Não havia ninguém quando me ia zangar
A tua voz não chegava, não vinha
O teu corpo era uma memória minha.
Estas linhas seriam apenas dissabores
Se não trouxessem mais do que sinto
Deixo nelas, tantos amores,
Como as dores que tenho e minto.
Mas na hora de voltares, eu repliquei
Não preciso de quem foi, mesmo de quem amei...
Passeámos abraçados para nenhum lado
Rimos das velhas de chapéu aberto
Foi assim enquanto estiveste perto.
Hoje nada procuro, falta-me condição.
A tua forma é a que me falta à visão
Mas por muito que esteja incomodado
Não tenho coragem para mudar o mudado.
Deixa que te diga, que sim te amei
Por amiga que foste, por quem eu sei
Enquanto estiveste nada se perdia
Foste-te embora morreu-me cada dia.
Mas na hora de voltares, eu repliquei
Não preciso de quem foi, mesmo de quem amei.
Senti-me pendurado, uma vez mais assim
Deixado num lugar qualquer, num fim
E sabendo o que me estava adiantado
Não olhei para trás em qualquer lado.
Irritei-me sozinho sem quem me irritar
Não havia ninguém quando me ia zangar
A tua voz não chegava, não vinha
O teu corpo era uma memória minha.
Estas linhas seriam apenas dissabores
Se não trouxessem mais do que sinto
Deixo nelas, tantos amores,
Como as dores que tenho e minto.
Mas na hora de voltares, eu repliquei
Não preciso de quem foi, mesmo de quem amei...
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Sem título 1
Na diferença de se ser
Jaz o nosso maior proveito
De ser diferente, não parecer
De viver a vida ao nosso jeito.
Os trilhos são caminhados
Todos de forma diferente:
No fim de trilhos acidentados
Existe também algo coerente.
Que seja mais fácil
Caminhar por algo feliz
É justo, é táctil
Mas corta-nos a raiz.
Talvez sofrer nos faça,
Talvez voar, talvez erigir.
Talvez a vida se faça
Para não deixar por corrigir.
Jaz o nosso maior proveito
De ser diferente, não parecer
De viver a vida ao nosso jeito.
Os trilhos são caminhados
Todos de forma diferente:
No fim de trilhos acidentados
Existe também algo coerente.
Que seja mais fácil
Caminhar por algo feliz
É justo, é táctil
Mas corta-nos a raiz.
Talvez sofrer nos faça,
Talvez voar, talvez erigir.
Talvez a vida se faça
Para não deixar por corrigir.
Pobreza
Crianças, perdidas
Ao sabor do vento...
Voando sem intento
Com esperanças consumidas...
Arrastadas por um mundo infiel
Desleal, maldoso, cruel...
Se ao menos, por magia
De nossos próprios afazares
Pudessemos dar luz a cada dia
A estes pequenos sem quereres
Quem dera que fôssemos capazes
De prever momentos mais audazes
Que criássemos novos ares
Que voássemos novos voares.
Ao sabor do vento...
Voando sem intento
Com esperanças consumidas...
Arrastadas por um mundo infiel
Desleal, maldoso, cruel...
Se ao menos, por magia
De nossos próprios afazares
Pudessemos dar luz a cada dia
A estes pequenos sem quereres
Quem dera que fôssemos capazes
De prever momentos mais audazes
Que criássemos novos ares
Que voássemos novos voares.
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