segunda-feira, 7 de março de 2011

Em resposta - 1

Amor não tem fama de tornar.
Se vai, não volta, não quer voltar.
Mas sempre se cria novo amar:
Amor novo que não sabemos guardar.

domingo, 6 de março de 2011

Do que o viver se cria

Vejo do alto do morro o monte
E pergunto ao vento que passa
Se as estrelas beijam Caronte,
Ou são para ela estrelas de desgraça.

Vejo a leve pena, e nada mais sinto
A escrita que escrevo não é minha, é do infinito.
O que sou, será que existo?
Talvez não seja bem o que escrevo. Acho que minto.

Mas em vez de me atolar em desejos
- Oh, desejos carnais de pura agonia! -
Nas imagens constantes dos nossos beijos,
De ti, de quem nunca pude beijar,
Penso em melhor viver cada dia
Penso que posso ainda melhorar.

E estendo-me ao comprido, desagarrado do que sou.
O vento, por mim, apenas passou
Não levou de mim qualquer desgraça
Não me trouxe sequer qualquer sorte.
A minha vida é como uma praça
Aberta à chuva que trasnborda do capote.

A gente bem que morre e desaparece
Um dia cede, esmorece.
Mas porquê não aproveitar agora, esta calmaria,
Se de amar, viver e nada, o viver se cria?

B.D. Nº4 - Chuva dissolvente - Menos Língua

B.D. Nº 3 - Cantorias... - ???

sábado, 5 de março de 2011

Sem título 4

Saio do fundo de quem sou
No desespero de me encontrar
Não me encontro no que dou
Quem sou, sempre a mudar?

A vida até é enfadonha
E o fado um tanto triste
Não pode a morte ser risonha
Se é que o além existe?

Deixo-me viver, apenas agora
Sinto que sou quem antes era.
Quem fui, não se decora
A minha vida não tem perda.